GABO É PARA SEMPRE
Para quem pensa que Macondo é apenas aquela cidade que o tempo devastou depois de tantos delírios, incestos, experiências científicas e imperialistas, sonhos e lutas, “Cem anos de solidão” deve voltar para à mesa de cabeceira para uma leitura pós-ditaduras militares sul-americanas. Ali, Gabriel Garcia Marquez, o fecundo Gabo, não apenas imprimiu o caráter do realismo fantástico mas, ainda, conseguiu profetizar situações hoje vividas, por um grande país que faz fronteira com a Colômbia.
O trecho que se segue – quem identificar o país pode abrir o debate – se encontra entre as páginas 150 a 154 da 5ª edição do livro, da Editora Sabiá.
“A embriaguez do poder começou a se decompor em faixas de tédio...
...Pediam, em primeiro lugar, renunciar à revisão dos títulos de propriedade de terra...renunciar à luta contra a influência clerical...por último, para renunciar à luta pela igualdade de direitos...
“Quer dizer então – sorriu o coronel Aureliano Buendía quando terminou a leitura- que só estamos lutando pelo poder... São reformas táticas, respondeu um dos delegados. No momento o essencial é ampliar a base popular da guerra. Depois se vê...
Um dos assessores do coronel Aureliano Buendía se apressou a intervir – é um contrasenso- disse- se estas reformas são boas, quer dizer que é bom o regime conservador. Se com elas conseguimos ampliar a base popular da guerra, como dizem os senhores, quer dizer quer dizer que o regime tem uma ampla base popular. Quer dizer, em suma, que durante quase vinte anos estivemos lutando contra os sentimentos da nação...
Ia continuar, mas o coronel Aureliano Buendía o interrompeu com um sinal... Não perca tempo doutor, disse. O importante é que a partir deste momento só lutamos pelo poder. Sem deixar de sorrir, tomou os papéis que lhe entregaram os delegados e se dispôs a assinar...
Já que é assim, concluiu, não temos nenhum inconveniente em aceitar. Os seus homens se olharam consternados...
Desculpe coronel –disse suavemente o coronel Gerineldo Marquez – mas isto é uma traição. O coronel Aureliano Buendia deteve no ar a pena com tinta, e descarregou sobre ele todo o peso de sua autoridade. Entregue as suas armas – ordenou. O coronel Gerineldo Marquez se levantou e pôs as armas na mesa...
Apresente-se no quartel – ordenou-lhe o coronel Aureliano Buendia- o senhor fica à disposição dos tribunais revolucionários...”.
Só para lembrar a frase do tempo em que o cinema tinha escrúpulos, “qualquer semelhança com fatos reais é mera coincidência”.
Para quem pensa que Macondo é apenas aquela cidade que o tempo devastou depois de tantos delírios, incestos, experiências científicas e imperialistas, sonhos e lutas, “Cem anos de solidão” deve voltar para à mesa de cabeceira para uma leitura pós-ditaduras militares sul-americanas. Ali, Gabriel Garcia Marquez, o fecundo Gabo, não apenas imprimiu o caráter do realismo fantástico mas, ainda, conseguiu profetizar situações hoje vividas, por um grande país que faz fronteira com a Colômbia.
O trecho que se segue – quem identificar o país pode abrir o debate – se encontra entre as páginas 150 a 154 da 5ª edição do livro, da Editora Sabiá.
“A embriaguez do poder começou a se decompor em faixas de tédio...
...Pediam, em primeiro lugar, renunciar à revisão dos títulos de propriedade de terra...renunciar à luta contra a influência clerical...por último, para renunciar à luta pela igualdade de direitos...
“Quer dizer então – sorriu o coronel Aureliano Buendía quando terminou a leitura- que só estamos lutando pelo poder... São reformas táticas, respondeu um dos delegados. No momento o essencial é ampliar a base popular da guerra. Depois se vê...
Um dos assessores do coronel Aureliano Buendía se apressou a intervir – é um contrasenso- disse- se estas reformas são boas, quer dizer que é bom o regime conservador. Se com elas conseguimos ampliar a base popular da guerra, como dizem os senhores, quer dizer quer dizer que o regime tem uma ampla base popular. Quer dizer, em suma, que durante quase vinte anos estivemos lutando contra os sentimentos da nação...
Ia continuar, mas o coronel Aureliano Buendía o interrompeu com um sinal... Não perca tempo doutor, disse. O importante é que a partir deste momento só lutamos pelo poder. Sem deixar de sorrir, tomou os papéis que lhe entregaram os delegados e se dispôs a assinar...
Já que é assim, concluiu, não temos nenhum inconveniente em aceitar. Os seus homens se olharam consternados...
Desculpe coronel –disse suavemente o coronel Gerineldo Marquez – mas isto é uma traição. O coronel Aureliano Buendia deteve no ar a pena com tinta, e descarregou sobre ele todo o peso de sua autoridade. Entregue as suas armas – ordenou. O coronel Gerineldo Marquez se levantou e pôs as armas na mesa...
Apresente-se no quartel – ordenou-lhe o coronel Aureliano Buendia- o senhor fica à disposição dos tribunais revolucionários...”.
Só para lembrar a frase do tempo em que o cinema tinha escrúpulos, “qualquer semelhança com fatos reais é mera coincidência”.
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