RACISMO CRESCENTE E SELVAGEM
Sem voz para gritar por socorro e sem conseguir ouvir os xingamentos de seus agressores, Gean Kaingang um jovem de 22 anos, foi assassinado em Nonai, no Rio Grande do Sul, sul do Brasil, no sábado, oito de novembro. Ele era surdo-mudo. Antes de matá-lo, os assassinos o torturaram, furaram seus olhos, barbarizaram seu corpo e, para aviltá-lo mais ainda, o estupraram. Em seguida, fugiram, como convém aos covardes.
Oficialmente, não estamos em guerra civil mas, em onze meses, 24 índios foram assassinados no Brasil, ou seja, mais de dois mortos por mes. O ano ainda não acabou mas, 2003 já pode passar para a história dos conflitos em área indígena como um dos mais violentos dos últimos 30 anos. Por enquanto, apenas em um caso os assassinos estão sendo acionados pela Justiça. Os vaqueiros que mataram Aldo Mota, do povo Makuxi, em Roraima, já foram citados e convocados pela Justiça Federal. O autor intelectual do crime continua esperando que sejam encontradas as evidências de sua participação. Quanto aos assassinos de Marcos Veron, Guarani-Kaiowá, de Mato Grosso do Sul, Leopoldo Crespo, Kaingang do Rio Grande do Sul, Orides Bellini, também Kaingang e líder indígena em Chapecó, estado de Santa Catarina, César Cinta-Larga, Renato Cinta-Larga, do povo Cinta-Larga em Rondônia, Adenilson Xukuru, morto na sua terra, em Pernambuco e dos demais mortos, continuam vivendo em absoluta impunidade. Continuam ainda impunes também os autores do massacre de Haximu e Homoxi, na terra indígena dos Yanomami, em Roraima, quando 12 índios foram mortos por garimpeiros invasores, há nove anos.
Gean não era líder do seu povo. Era apenas mais um índio que vivia em total insegurança na sua própria terra. Lá, os Kaingang evitam sair sozinhos à noite porque correm o risco de ser agredidos. Ou mortos. A Terra Indígena de Nonoai, no município do mesmo nome, é uma reserva de 9.6 mil hectares dos quais, parte invadida por pequenos agricultores e, outra parte, invadida pelo prefeito do município, Ademar Dall´Asta, do PDT. Nos anos 70, os invasores foram expulsos e muitos deles assentados num projeto de colonização às margens do rio Peixoto de Azevedo em Mato Grosso. Outros chegaram e estão matando.
Embora na maioria dos casos a luta da terra seja a causa principal dessa violência, a crescente onda do sentimento anti-indígena que vem se manifestando cada vez mais no Brasil é também responsável pela estatística da tragédia. E essas manifestações estão se espalhando por todo o País, com graus distintos de selvageria.
Na mesma semana da morte de Gean, três homens armados interceptaram um ônibus que transportava índios do povo Pataxó, em Pau Brasil, no sul da Bahia. Eles iam para a escola. Além de quebrarem as janelas e faróis do ônibus, os pistoleiros ameaçaram o motorista dizendo-lhe que não mais transportasse os índios.
Estas duas manifestações de racismo, com intensidade diferentes foram noticiadas pelas páginas da Internet que tratam de questões indígenas. Mas há inúmeros outros casos que não chegam ao conhecimento público. Um deles aconteceu há um mes em Palmas, estado do Tocantins, quando um grupo de adolescentes jogou pedras contra mulheres e crianças do grupo Krahô, que se encontravam estação rodoviária da cidade. As pedras terminaram atingindo a antropóloga Raquel Lang, que desenvolve trabalhos de assessoria com aquele grupo e, ferida pelas pedras, levou seis pontos no rosto.
Embora haja evidências, estudos e estatísticas sobre a discriminação racial contra os negros do Brasil, não há – ou se existe é inédito – nenhum estudo sobre o racismo contra os povos indígenas, apesar de dos casos se multiplicarem em todas as regiões brasileiras.
VITÓRIA
Mais uma vitória da resistência indígena tem que ser registrada: a aldeia Cachoeira, comandada pelo grande líder Raoni terá a primeira TV Indígena do Brasil. O canal “Aldeia Virtual” vai funcionar na Terra Indígena Kapoto/Jarina, área conquistada pelo povo Metuktire, sub-grupo Kaiapó, que nos anos 80, retomaram parte de suas terras ilegalmente loteadas por autoridades que dirigiam a extinta Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste.
As lideranças indígenas há muito tempo vêm reivindicando a instalação de rádios e Tv´s para suas áreas. Já sabem que comunicação é poder.
Sem voz para gritar por socorro e sem conseguir ouvir os xingamentos de seus agressores, Gean Kaingang um jovem de 22 anos, foi assassinado em Nonai, no Rio Grande do Sul, sul do Brasil, no sábado, oito de novembro. Ele era surdo-mudo. Antes de matá-lo, os assassinos o torturaram, furaram seus olhos, barbarizaram seu corpo e, para aviltá-lo mais ainda, o estupraram. Em seguida, fugiram, como convém aos covardes.
Oficialmente, não estamos em guerra civil mas, em onze meses, 24 índios foram assassinados no Brasil, ou seja, mais de dois mortos por mes. O ano ainda não acabou mas, 2003 já pode passar para a história dos conflitos em área indígena como um dos mais violentos dos últimos 30 anos. Por enquanto, apenas em um caso os assassinos estão sendo acionados pela Justiça. Os vaqueiros que mataram Aldo Mota, do povo Makuxi, em Roraima, já foram citados e convocados pela Justiça Federal. O autor intelectual do crime continua esperando que sejam encontradas as evidências de sua participação. Quanto aos assassinos de Marcos Veron, Guarani-Kaiowá, de Mato Grosso do Sul, Leopoldo Crespo, Kaingang do Rio Grande do Sul, Orides Bellini, também Kaingang e líder indígena em Chapecó, estado de Santa Catarina, César Cinta-Larga, Renato Cinta-Larga, do povo Cinta-Larga em Rondônia, Adenilson Xukuru, morto na sua terra, em Pernambuco e dos demais mortos, continuam vivendo em absoluta impunidade. Continuam ainda impunes também os autores do massacre de Haximu e Homoxi, na terra indígena dos Yanomami, em Roraima, quando 12 índios foram mortos por garimpeiros invasores, há nove anos.
Gean não era líder do seu povo. Era apenas mais um índio que vivia em total insegurança na sua própria terra. Lá, os Kaingang evitam sair sozinhos à noite porque correm o risco de ser agredidos. Ou mortos. A Terra Indígena de Nonoai, no município do mesmo nome, é uma reserva de 9.6 mil hectares dos quais, parte invadida por pequenos agricultores e, outra parte, invadida pelo prefeito do município, Ademar Dall´Asta, do PDT. Nos anos 70, os invasores foram expulsos e muitos deles assentados num projeto de colonização às margens do rio Peixoto de Azevedo em Mato Grosso. Outros chegaram e estão matando.
Embora na maioria dos casos a luta da terra seja a causa principal dessa violência, a crescente onda do sentimento anti-indígena que vem se manifestando cada vez mais no Brasil é também responsável pela estatística da tragédia. E essas manifestações estão se espalhando por todo o País, com graus distintos de selvageria.
Na mesma semana da morte de Gean, três homens armados interceptaram um ônibus que transportava índios do povo Pataxó, em Pau Brasil, no sul da Bahia. Eles iam para a escola. Além de quebrarem as janelas e faróis do ônibus, os pistoleiros ameaçaram o motorista dizendo-lhe que não mais transportasse os índios.
Estas duas manifestações de racismo, com intensidade diferentes foram noticiadas pelas páginas da Internet que tratam de questões indígenas. Mas há inúmeros outros casos que não chegam ao conhecimento público. Um deles aconteceu há um mes em Palmas, estado do Tocantins, quando um grupo de adolescentes jogou pedras contra mulheres e crianças do grupo Krahô, que se encontravam estação rodoviária da cidade. As pedras terminaram atingindo a antropóloga Raquel Lang, que desenvolve trabalhos de assessoria com aquele grupo e, ferida pelas pedras, levou seis pontos no rosto.
Embora haja evidências, estudos e estatísticas sobre a discriminação racial contra os negros do Brasil, não há – ou se existe é inédito – nenhum estudo sobre o racismo contra os povos indígenas, apesar de dos casos se multiplicarem em todas as regiões brasileiras.
VITÓRIA
Mais uma vitória da resistência indígena tem que ser registrada: a aldeia Cachoeira, comandada pelo grande líder Raoni terá a primeira TV Indígena do Brasil. O canal “Aldeia Virtual” vai funcionar na Terra Indígena Kapoto/Jarina, área conquistada pelo povo Metuktire, sub-grupo Kaiapó, que nos anos 80, retomaram parte de suas terras ilegalmente loteadas por autoridades que dirigiam a extinta Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste.
As lideranças indígenas há muito tempo vêm reivindicando a instalação de rádios e Tv´s para suas áreas. Já sabem que comunicação é poder.
<< Home