NAS ENTRELINHAS                                 


MUNDO DO TRABALHO

de Memélia Moreira

Quarta-feira, Novembro 05, 2003

SOLIDARIEDADE SINDICAL

Os jornais e revistas brasileiros tentam impor a idéia de que o movimento contra a Área de Libre Comércio das Américas (ALCA) se restringe a pequenos grupos de esquerda do Brasil e América Latina. Não é bem assim. A oposição a mais esta estocada do Império contra os países periféricos ecoa dentro dos Estados Unidos.
Sindicatos e movimentos sociais, além de organizações não governamentais de defesa do meio ambiente estão convocando pais de família, estudantes, trabalhadores, povos indígenas, camponeses, desempregados e todos aqueles que discordam da política neoliberal para que participem da Marcha Pacífica de Miami, que vai acontecer entre os dias 19 e 21 de novembro naquela cidade, quando se reúnem 34 ministros de toda a América para discutir os termos do novo mercado.
Na convocação eletrônica, as organizações responsáveis dizem textualmente que “precisamos de um grande número de pessoas em Miami para derrotar as propostas dos Estados Unidos e pressionar o governo por uma negociação democrática em defesa dos nossos irmãos do sul. O movimento deve ser pacífico. Queremos construir a solidariedade entre as diversas sociedades de trabalhadores que se opõem à exploração econõmica, ao militarismo, à devastação ambiental”.
Até o momento, o Brasil vem adotando uma posição de firmeza diante das exigências feitas pelos Estados Unidos. O chanceler Celso Amorim, quer uma ALCA flexível, com tratamento diferenciado para os diferentes países, em estágios distintos de desenvolvimento. E os Estados Unidos entende a América Latina como um todo, sem o menor respeito não só pelas diferenças econômicas mas, principalmente pelas diferenças culturais. Com o aval do presidente Luis Inácio Lula da Silva, Amorim foi bombardeado pelo ministro Roberto Rodrigues, da Agricultura e Luis Furlan,do Comércio Exterior, mas, mesmo assim continuou sustentando a psição de soberania que se espera. Os dois outros ministros ficaram quietos. Afinal de contas, dezembro está bem aí e todos esperam mudanças ministeriais.
Mas no dia 19 de novembro, quando o chanceler brasileiro abrir as janelas do hotel onde vai se hospedar pode ver que um grande número de pessoas concorda com a posição brasileira e, de todos os lugares dos Estados Unidos e da América Latina vão estar em Miami para dizer que é possível criar um mercado continental democrático e que os trabalhadores norte-americanos apoiam a luta de seus companheiros do sul.