ESCRAVOS E ESTRATEGISTAS
Em 1791, escravos negros que viviam na ilha então conhecida por São Domingos (hoje Haiti) depois de desafiar a revolucionária Assembléia Constituinte de Paris para que estendesse o ideário de ‘’igualdade, liberdade e fraternidade’’ além-mar, decidiram se revoltar enfrentando o poderio francês. Lutaram por 12 anos sob o comando de um dos maiores estrategistas da história Toussaint L´Ouverture foi o herói da independência haitiana. Precursor da guerra de guerrilhas que duzentos anos depois se popularizaram em Cuba, sua vizinha, Toussaint e Dessalines, outro comandante da resistência derrotaram uma expedição francesa de 60 mil homens, comandada por um cunhado de Napoleão; outra inglesa, de proporções semelhantes e até uma espanhola. Em novembro de 1803 as tropas bonapartistas sofreram uma humilhante derrota e os ex-escravos, decretaram a independência da ilha. Nascia o Haiti, colônia que fez fortunas de espanhóis, franceses e ingleses. Nos próximos dias a ilha comemora 200 anos de independência. Apesar de tantas glórias e vitórias, seu povo, depois de amargar nas mãos do sanguinário e truculento Jean-Baptiste Duvalier, o Papa-Doc, pena agora nas mãos de Jean Bertrand Aristide, ditador que um dia foi esperança do povo.
C.L.R. James escreveu a saga da independência no livro “Os jacobinos negros”, editado pela Boi Tempo. É uma leitura que enche de orgulho aqueles que acreditam na independência dos povos, Seguem alguns trechos dessa resistência.
“Os espanhóis, o povo mais adiantado da Europa naqueles dias, anexaram a ilha, à qual chamaram de Hispaniola, e tomaram seus primitivos habitantes sob proteção. Introduziram o cristianismo, o trabalho forçado nas minas, o assassinato, o estupro, os cães de guarda, doenças desconhecidas e a fome forjada (pela destruição dos cultivos para matar os rebeldes de fome). Esses e outros atributos das civilizações desenvolvidas reduziram a população nativa de estimadamente meio milhão, ou talvez um milhão, para sessenta mil, em 15 anos...”
“Os jacobinos negros de São Domingos fariam a história que mudaria o destino de milhões de homens e o curso econômico de três continentes...”
“A questão colonial não era um dos interesses de menor importância da Assembléia Constituinte. Longe de ser uma assembléia de teóricos e visionários como os conservadores gostariam de retratá-los, os representantes políticos da burguesia eram sensatos homens de negócios; sensatos demais porque não tinham preconceito de cor. Tinham profunda vergonha das injustiças que estavam perpetuando, mas estando a ponto de perder tanto, deixaram-se apavorar pelos deputados coloniais. Devido a essa covardia, pagaram caro, no país e no exterior...”
Em 1791, escravos negros que viviam na ilha então conhecida por São Domingos (hoje Haiti) depois de desafiar a revolucionária Assembléia Constituinte de Paris para que estendesse o ideário de ‘’igualdade, liberdade e fraternidade’’ além-mar, decidiram se revoltar enfrentando o poderio francês. Lutaram por 12 anos sob o comando de um dos maiores estrategistas da história Toussaint L´Ouverture foi o herói da independência haitiana. Precursor da guerra de guerrilhas que duzentos anos depois se popularizaram em Cuba, sua vizinha, Toussaint e Dessalines, outro comandante da resistência derrotaram uma expedição francesa de 60 mil homens, comandada por um cunhado de Napoleão; outra inglesa, de proporções semelhantes e até uma espanhola. Em novembro de 1803 as tropas bonapartistas sofreram uma humilhante derrota e os ex-escravos, decretaram a independência da ilha. Nascia o Haiti, colônia que fez fortunas de espanhóis, franceses e ingleses. Nos próximos dias a ilha comemora 200 anos de independência. Apesar de tantas glórias e vitórias, seu povo, depois de amargar nas mãos do sanguinário e truculento Jean-Baptiste Duvalier, o Papa-Doc, pena agora nas mãos de Jean Bertrand Aristide, ditador que um dia foi esperança do povo.
C.L.R. James escreveu a saga da independência no livro “Os jacobinos negros”, editado pela Boi Tempo. É uma leitura que enche de orgulho aqueles que acreditam na independência dos povos, Seguem alguns trechos dessa resistência.
“Os espanhóis, o povo mais adiantado da Europa naqueles dias, anexaram a ilha, à qual chamaram de Hispaniola, e tomaram seus primitivos habitantes sob proteção. Introduziram o cristianismo, o trabalho forçado nas minas, o assassinato, o estupro, os cães de guarda, doenças desconhecidas e a fome forjada (pela destruição dos cultivos para matar os rebeldes de fome). Esses e outros atributos das civilizações desenvolvidas reduziram a população nativa de estimadamente meio milhão, ou talvez um milhão, para sessenta mil, em 15 anos...”
“Os jacobinos negros de São Domingos fariam a história que mudaria o destino de milhões de homens e o curso econômico de três continentes...”
“A questão colonial não era um dos interesses de menor importância da Assembléia Constituinte. Longe de ser uma assembléia de teóricos e visionários como os conservadores gostariam de retratá-los, os representantes políticos da burguesia eram sensatos homens de negócios; sensatos demais porque não tinham preconceito de cor. Tinham profunda vergonha das injustiças que estavam perpetuando, mas estando a ponto de perder tanto, deixaram-se apavorar pelos deputados coloniais. Devido a essa covardia, pagaram caro, no país e no exterior...”
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