SOS HUMANIDADE
Nenhum jornal se interessou em divulgar o “Encontro Internacional em defesa da humanidade”, acontecido no México na última semana de outubro. E lá estavam representantes da reserva moral do planeta, entre eles, Samir Amin, Evo Morales, o argentino vencedor do Nobel da Paz, Adolfo Perez Esquivel, padre Ernesto Cardenal, jesuíta que integrou a Frente Sandinista de Libertação e Harry Belafonte, ator negro americano que só se desloca dos Estados Unidos em ocasiões especiais. O encontro foi organizado por sindicatos e movimentos sociais de toda a América Latna, com apoio de sindicatos norte-americanos.
Não havia banqueiros, nem megaempresários. Ali se reuniram pessoas que nos últimos 30 anos vêm lançando apelos cada vez mais contundentes em defesa da sobrevivência da vida na Terra. E essa sobrevivência, diz o documento final do encontro, está ameaçada porque “a barbárie já está na porta”.
“Não se trata só – prossegue o documento -de uma minoria que concentrou uma enorme proporção de riqueza enquanto massas empobrecidas podem apenas sobreviver. O sistema econômico opera agora uma verdadeira máquina de exclusão social. Uma quantidade enorme de seres humanos foram declarados prescindíveis para o modelo em expansão”.
Considerar massas humanas prescindíveis não é um fenômeno novo. Já no final dos anos 70, essa tendência se manifestava diante do pouco caso com o qual os países ricos tratavam a cada vez mais violenta miséria de países africanos. Isso começou a acontecer quando a mão de obra daquele continente deixou de ser importante. A partir daí, estabeleceu-se um pacto não escrito entre os países ricos para que os povos que vivem no Sudão, Somália, Biafra e outras regiões desertificadas da África apresentassem o triste espetáculo de crianças com costelas de fora, barrigas inchadas, ossos e olhos, diante do mundo que virava as costas para as guerras.
O alerta principal do encontro diz respeito à devastação cada dia mais agressiva submetida ao planeta. Nesse ponto, o documento afirma que “a humanidade enfrenta perigos que atacam diretamente seu sustento social, cultural e ambiental. Esta ameaça não tem origem nas forças da natureza e sim nos poderes econômicos e políticos que negam os mais altos valores concebidos ao longo da História e exaltam o egoísmo”.
Para enfrentar a barbárie, já visível sem auxílio de instrumentos, os participantes do encontro propõem a criação de um Comité Internacional aliado a redes regionais de defesa da humanidade com o objetivo de deslegitimar o sistema dominante. Éssa é uma das primeiras respostas concretas do Forum Social Mundial que vai agora para sua quarta edição.
Os signatários do documento propõem ainda a criação de uma universidade internacional reunindo humanistas, cientistas e artistas de todo o mundo para consagrar seus conhecimentos especificamente à educação, pesquisa e difusão cultural.
Para quem assistiu “Farhneit 451”, clássico de François Truffaut, a proposta dessa universidade internacional soa bem familiar. No filme, os livros eram queimados pelos bombeiros, uma força paramilitar, e os leitores, considerados pessoas altamente perigosoas e subversivas, submetidos a lavagens cerebrais. Quando conseguiam escapar dos bombeiros, refugiavam-se numa floresta nas colinas onde cada um decorava um livro para salvar a cultura. A floresta de truffaut ressurge. Será, se a barbárie vencer, a última reserva de humanismo do planeta.
Nenhum jornal se interessou em divulgar o “Encontro Internacional em defesa da humanidade”, acontecido no México na última semana de outubro. E lá estavam representantes da reserva moral do planeta, entre eles, Samir Amin, Evo Morales, o argentino vencedor do Nobel da Paz, Adolfo Perez Esquivel, padre Ernesto Cardenal, jesuíta que integrou a Frente Sandinista de Libertação e Harry Belafonte, ator negro americano que só se desloca dos Estados Unidos em ocasiões especiais. O encontro foi organizado por sindicatos e movimentos sociais de toda a América Latna, com apoio de sindicatos norte-americanos.
Não havia banqueiros, nem megaempresários. Ali se reuniram pessoas que nos últimos 30 anos vêm lançando apelos cada vez mais contundentes em defesa da sobrevivência da vida na Terra. E essa sobrevivência, diz o documento final do encontro, está ameaçada porque “a barbárie já está na porta”.
“Não se trata só – prossegue o documento -de uma minoria que concentrou uma enorme proporção de riqueza enquanto massas empobrecidas podem apenas sobreviver. O sistema econômico opera agora uma verdadeira máquina de exclusão social. Uma quantidade enorme de seres humanos foram declarados prescindíveis para o modelo em expansão”.
Considerar massas humanas prescindíveis não é um fenômeno novo. Já no final dos anos 70, essa tendência se manifestava diante do pouco caso com o qual os países ricos tratavam a cada vez mais violenta miséria de países africanos. Isso começou a acontecer quando a mão de obra daquele continente deixou de ser importante. A partir daí, estabeleceu-se um pacto não escrito entre os países ricos para que os povos que vivem no Sudão, Somália, Biafra e outras regiões desertificadas da África apresentassem o triste espetáculo de crianças com costelas de fora, barrigas inchadas, ossos e olhos, diante do mundo que virava as costas para as guerras.
O alerta principal do encontro diz respeito à devastação cada dia mais agressiva submetida ao planeta. Nesse ponto, o documento afirma que “a humanidade enfrenta perigos que atacam diretamente seu sustento social, cultural e ambiental. Esta ameaça não tem origem nas forças da natureza e sim nos poderes econômicos e políticos que negam os mais altos valores concebidos ao longo da História e exaltam o egoísmo”.
Para enfrentar a barbárie, já visível sem auxílio de instrumentos, os participantes do encontro propõem a criação de um Comité Internacional aliado a redes regionais de defesa da humanidade com o objetivo de deslegitimar o sistema dominante. Éssa é uma das primeiras respostas concretas do Forum Social Mundial que vai agora para sua quarta edição.
Os signatários do documento propõem ainda a criação de uma universidade internacional reunindo humanistas, cientistas e artistas de todo o mundo para consagrar seus conhecimentos especificamente à educação, pesquisa e difusão cultural.
Para quem assistiu “Farhneit 451”, clássico de François Truffaut, a proposta dessa universidade internacional soa bem familiar. No filme, os livros eram queimados pelos bombeiros, uma força paramilitar, e os leitores, considerados pessoas altamente perigosoas e subversivas, submetidos a lavagens cerebrais. Quando conseguiam escapar dos bombeiros, refugiavam-se numa floresta nas colinas onde cada um decorava um livro para salvar a cultura. A floresta de truffaut ressurge. Será, se a barbárie vencer, a última reserva de humanismo do planeta.
<< Home