NAS ENTRELINHAS                                 


MUNDO DO TRABALHO

de Memélia Moreira

Terça-feira, Dezembro 16, 2003

QUEBROU-SE O ENCANTO

O Governo Lula aparece como o mais prepotente que tivemos. Essa é a primeira frase do documento da análise de conjuntura do caderno de textos apresentado pela FASUBRA, (Federação dos Servidores das Universidades Brasileiras) que esta semana promove seu congresso em Brasília, já na fase de total desencanto com o governo de Luis Inácio Lula da Silva.
Combativo sindicato que na greve das universidades brasileiras em 2001 sustentou todas as pressões do ex-ministro da Educação, Paulo Renato, a Fasubra parecia ter perdido o senso crítico condição primeira da autonomia sindical. Logo depois da vitória de Lula chegou, inclusive, a imprimir camisetas saudando o novo governo, num surpreendente comportamento de adesão, sem sequer esperar para ver as primeiras medidas que seriam adotadas pelo presidente eleito.
Mas, passados 11 meses, e depois de ver que a mesa de negociações com o Governo para discutir pendências da greve deste ano não respeita a pauta apresentada pela categoria e, muito menos, suas reivindicações, a Fasubra retoma o fôlego combativo e deixa claro, na sua análise de conjuntura, que não tem mais ilusões.
O documento faz referências à política econômica classificando-a de “catastrófica” e, alerta, “se não mudar, vai ser um desastre não só para nós mas para todo o país”. Adiante, a constatação de que esse é um “governo de pirotecnia, carregando um saco de maldades, que não favorece em momento algum a consciência política. Não tem projeto para o país, não tem política de emprego, contra a exclusão”.
Ameaçados pela reforma universitária (que nas palavras do ministro da casa Civil, José Dirceu, é quando “o pau vai comer”), o sindicato, afirma que esta provocará mais desastre e divisão porque “quer tirar os aposentados da folha das universidades, diz que eles são um “peso”, um prejuízo e vai lhes congelar salários Quer cobrar mensalidades, acabar com direitos estudantis”.
Com bastante clareza e sem papas na língua, o texto denuncia também a cooptação feita pelo governo junto ao movimento sindical e afirma que “a CUT (Central Única dos Trabalhadores) está visceralmente ligada ao Governo”.
O documento, que servirá de base para discussões no Congresso, se encerra com uma convocação afirmando “vamos resgatar nossa história, denunciar esse governo e fazer a luta. Esse é o nosso papel. A resposta está na rua”.
Obviamente, nem todos os filiados comungam com essa análise mas, dificilmente, seus argumentos terão peso porque os fatos apresentados nessa análise são palpáveis e vêm se repetindo de forma abusiva nas relações trabalhadores versus governo Lula.