NAS ENTRELINHAS                                 


CARTA ABERTA

de Memélia Moreira

Quarta-feira, Abril 21, 2004

Nenhures, 22 de abril de 2004

CUMPLICIDADE NO MASSACRE

O Governo brasileiro é cúmplice do massacre dos garimpeiros de Rondônia. Desde o início das atividades de exploração de diamantes na terra dos Cinta-Larga, a tensão entre índios e garimpeiros é permanente e este não foi o primeiro ato de violência entre os dois grupos. Garimpeiros já barbarizaram índios mas esta sim, foi a primeira séria investida dos Cinta-Larga contra os garimpeiros. Por trás da violência latente, a completa omissão do estado brasileiro que já promoveu dezenas de reuniões e um sem número de grupos de trabalho sem tomar nenhuma providência de caráter permanente que, de um lado, evite a espolição das rioquezas das terras indpígenas e, por outro, permita a sobrevivência em condições dignas desse povo que há menos de 40 anos desconhecia completamente os artifícios e mecanismos da sociedade ocidental.
Os garimpeiros se encontram na linha abaixo do lump4sinato brasileiro. Trabalham em geral para poderosas empresas internacionais ou para poçíticos dublê de empresários que exploram as riquezas das áreas inmdígenas. Entre os interessados nas minas de diamante dos Cinta-Larga encontram-se senadores, entre eles Romero Jucá Filho (PMDB-RO), vice-líder do Governo no Senado, que também explorou garimpo na terra do povo Yanomami e, ainda o atual e os ex-governadores de Rondônia.
Na miserável cidade de Juína, em Mato Grosso, chegou a ser aberta uma “bolsa de diamantes”, onde se especulava ilegalmente, sob o olhar cúmplice das autoridades, entre elas agentes e delegados da Polícia Federal, o valor das pedras que eram imediatamente levadas por empresas tais como a De Bears, holandesa que explora diamantes também na África do Sul.
Foram gastos alguns milhões de reais em operações de retirada de garimpeiros, mas a Políocia Federal não pode manter um posto de vigilância na área por absoluta falta de recursos e a Funai, filha bastarda da administração pública federal, não tem um orçamento quie lhe permita bancar nenhum tipo de fiscalização.
Em março do ano passado, as lideranças Cinat-Larga, numa reunião com representantes do Ministério da Justiça, do Departamento Nacional de Produção Mineral, do superintendente-geral da Polícia Federal, Márcio Lacerda, do então presidente da Funai, Eduardo Almeida e representante da Secretaria Nacional de Segurança Pública, diseram que estavam vivendo numa situação de miséria, enquanto suas terras guardam um dos mais cobiçados minérios do mundo, que era explorado por invasores de terra indígena. “Querem que a gente fique lá na maloca fazendo pulseirinha, colarzinho e nós queremos escola, médico, futuro para nossos filhos”, disse o cacique João Bravo, numa demonstração de que estava disposto a explorar o garimpo, com autorização do Governo. E disse também que não aceitaria garimperios em seu território.
Nenhum resultado concreto foi apresentado pelo Governo que deixou a situação apodrecer ao ponto de provocar essa chacina que traz o selo da omissão, da inação e da irresponsabilidade do Governo brasileiro para tratar de qualquer assunto relacionado às minorias étnicas, imagina qunado se trata dos problemas da maioria.
Essa omissão e, principalmente, inação do Governo pode ser vista no caso da terra de Raposa/Serra do Sol. Pressionado por políticos (dois deles acusados de corrupção pelo Ministério Público Federal: o mesmo Romero Jucá Filho e ainda o atual governador de Roarima, Flamarion Portela) de sua base, o presidente da República já encomendou o quarto relatório para saber se toma ou não a decisão de homologar a terra tal como foi demarcada, em território contínuo. Talvez esteja esperando uma nova chacina para criar um grupo de trabalho que estude as causas da violência.
Saudações
Memélia Moreira
Editora