NAS ENTRELINHAS                                 


EM DEBATE

de Memélia Moreira

Sábado, Maio 08, 2004

VALOR DO NOVO MÍNIMO GERA POLÊMICA NO CONGRESSO

Mário Lima Filho

Após dias de discussões acerca do valor do salário mínimo, o Executivo bate o martelo e fixa em R$ 260 a nova renda mínima do trabalhador brasileiro. O que para outros presidentes era a pedra nos sapatos e para o PT o motivo maior para pressões como oposição, hoje, é a guerra entre o presidente Lula e seus aliados contra a oposição e alguns companheiros petistas.
A situação é tão constrangedora que o próprio Presidente assumiu que o valor é irrisório e, chegou a argumentar no programa de rádio “Café com o Presidente”, que seria uma “irresponsabilidade” dar um aumento para o mínimo maior do que R$ 20 concedidos pelo Governo.
Na verdade o assalariado brasileiro ficou frustrado, uma vez que o partido que se diz do trabalhador e que antes muito atormentou os políticos por um aumento real, hoje se mostra vulnerável e recua, mais uma vez, diante ao que foi exposto em sua proposta de governo.
É claro que a cúpula governistas vai mostrar e tentar provar por “a” mais “b”, que isso é tudo o que pode ser concedido e que se tentarem elevar esse valor, como estão querendo alguns parlamentares, é forçar a barra e aumentar mais ainda o rombo da previdência.
Diante ao descontentamento foi instalada a MP do mínimo, que analisará a medida provisória 184/04, que fixou o valor do mínimo em R$ 260. A comissão será composta por 26 membros – 13 deputados e 13 senadores -, que avaliarão propostas alternativas ao valor estabelecido pelo governo.
A comissão teve eleita como presidente o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) e o vice será o senador Paulo Paim (PT/RS). A decisão dos parlamentares em formar a comissão causou estranheza à base aliada do Governo. O deputado Arlindo Chinaglia, líder do PT, disse haver erro de procedimento e atropelos na instalação da comissão.
Também insatisfeitos e cumprindo o papel de oposição, PFL e PSDB apresentaram na última quinta feira (06), aumento ao mínimo de R$ 260 para R$ 275. O deputado Rodrigues Maia (PFL/RJ), relator da MP, decidiu adotar esse valor para incluir no seu relatório e acha que o governo tem fontes de recursos suficientes para financiar esse aumento.
O deputado diz que sua proposta não é irresponsável e poderá ser custeada com o aumento de arrecadação do governo. Disse ainda, que não se preocupa com a manobra estratégica do governo para esvaziar seu relatório na comissão especial que votará a medida provisória, nomeando outro relator para o plenário.
O deputado Alberto Goldman, vice-líder do PSDB, informou que o governo arrecada cerca de 7,5 bilhões a mais por ano e que excluindo os gastos previstos, ainda restam 2 bilhões no orçamento e é, exatamente, sobre esse saldo que consiste a possibilidade do aumento do mínimo para R$ 275.
O deputado Walter Pinheiro (PT/BA) também apresentou uma emenda à MP 182/04, que pretende elevar o mínimo para R$ 280. Ele também concorda com a utilização dos excessos de arrecadação como fonte de receita para arcar com o aumento.
As diversas propostas serão discutidas na comissão mista. Na avaliação do presente da Câmara, João Paulo Cunha, há possibilidade de mudanças. “Vai haver muita discussão até a votação propriamente dita. Mas claro que para mudar um valor dessa magnitude é preciso indicar a fonte de receita ou uma nova regra que seja capaz de suportar o aumento”.
Ao argumentar que o tema do mínimo gerará muita polêmica, o deputado João Paulo cunha tem toda razão e, bem que o brasileiro poderia apimentar mais ainda o assunto provocando muito barulho para atrapalhar os pensamentos do presidente Lula e seus colaboradores.