BELO E DRAMÁTICO
O amanhecer de Paris em preto e branco impressionista, como se banhada de prata. Em primeiro plano, o bairro que ultrapassou os limites da cidade transformando-se em sinônimo de espetáculos e extravagância dos “années folles”, que marcaram o início do século passado. Montmartre, o ponto mais alto da cidade e capital dos boêmios e artistas da primeira metade do século XX na capital francesa, explode em cores. Assim começa o musical “Moulin Rouge”, filme de Baz Luhrmann, estrelado pela belíssima e talentosa Nicole Kidman que tem como parceiro Ewan McGregor.
Pouco conhecido, Luhrmann ousou. Ele reinventa, com esse filme a linguagem cinematográfica. Sem abusar dos efeitos especiais mas mostrando que os 24 quadros do cinema são sempre uma possibilidade infinita, o diretor criou um conto infantil para adultos. As cores são fortes, os sentimentos frágeis.
Ele poderia ter filmado em Las Vegas mas Luhrmann fez questão de ambientar sua história em Montmartre, numa verdadeira declaração de amor a Paris e à cultura francesa. A começar pela escolha do bairro. Mas não fica só aí. Satinée (Acetinada), a personagem principal resume algumas heróinas reais e míticas do mundo francês. Ela é uma cortesã – no mundo ocidental, nenhum outro país foi tão devotado às cortesãs quanto a França – do famoso cabaret “Le Moulin Rouge”.
Satinée é ao mesmo tempo “A Dama das Camélias”, de Alexandre Dumas, ou “Naná”, de Victor Hugo, todas com o mesmo final trágico provocado pela tuberculose, o grande mal do começo do século XX e é, principalmente, a a caprichosa diva do teatro francês, Sarah Bernadt, que viveu intensamente os années folles. Sarah era tão caprichosa que, alheia ao relógio, seu mordomo ao lhe chamar para os compromissos dizia, “madame, quando a senhora quiser, são oito horas”. Satinée também tem seus caprichos. Mas é obediente como devem ser os grandes profissionais.
A primeira aparição de Nicole é espetacular. Ela desce em meio do palco, como se flutuasse. E conquista o amor de um jovem inglês e escritor, que se mudara para Paris e vivia numa água-furtada em Montmartre, bem em frente ao cabaret. Onde mais poderia viver um escritor estrangeiro em Paris? O filme se desenrola nas linhas escritas pelo jovem inglês que termina conquistando a bela.
Luhrmann não esquece a famosa gastronomia francesa. É bem verdade que a cena é rápida, mas a mesa é apetitosa e o prato preparado por ninguém menos que o mais famoso pintor de Montmartre. Toulouse Lautrec. Ele mesmo. E é amigo e cúmplice do escritor apaixonado que disputa a deusa com um conde mimado e vingativo.
O resto, só indo à locadora mais próxima. Mas, afirmam as escrituras pouco ou nada sagradas, as deusas são inatingíveis. Moulin Rouge merece ser visto mais de uma vez. Corre o risco de se tornar cult. Portanto, imperdível. Recomenda-se, para este filme, além da tradicional pipoca, uma taça de champagne. Pode ser rouge.
O amanhecer de Paris em preto e branco impressionista, como se banhada de prata. Em primeiro plano, o bairro que ultrapassou os limites da cidade transformando-se em sinônimo de espetáculos e extravagância dos “années folles”, que marcaram o início do século passado. Montmartre, o ponto mais alto da cidade e capital dos boêmios e artistas da primeira metade do século XX na capital francesa, explode em cores. Assim começa o musical “Moulin Rouge”, filme de Baz Luhrmann, estrelado pela belíssima e talentosa Nicole Kidman que tem como parceiro Ewan McGregor.
Pouco conhecido, Luhrmann ousou. Ele reinventa, com esse filme a linguagem cinematográfica. Sem abusar dos efeitos especiais mas mostrando que os 24 quadros do cinema são sempre uma possibilidade infinita, o diretor criou um conto infantil para adultos. As cores são fortes, os sentimentos frágeis.
Ele poderia ter filmado em Las Vegas mas Luhrmann fez questão de ambientar sua história em Montmartre, numa verdadeira declaração de amor a Paris e à cultura francesa. A começar pela escolha do bairro. Mas não fica só aí. Satinée (Acetinada), a personagem principal resume algumas heróinas reais e míticas do mundo francês. Ela é uma cortesã – no mundo ocidental, nenhum outro país foi tão devotado às cortesãs quanto a França – do famoso cabaret “Le Moulin Rouge”.
Satinée é ao mesmo tempo “A Dama das Camélias”, de Alexandre Dumas, ou “Naná”, de Victor Hugo, todas com o mesmo final trágico provocado pela tuberculose, o grande mal do começo do século XX e é, principalmente, a a caprichosa diva do teatro francês, Sarah Bernadt, que viveu intensamente os années folles. Sarah era tão caprichosa que, alheia ao relógio, seu mordomo ao lhe chamar para os compromissos dizia, “madame, quando a senhora quiser, são oito horas”. Satinée também tem seus caprichos. Mas é obediente como devem ser os grandes profissionais.
A primeira aparição de Nicole é espetacular. Ela desce em meio do palco, como se flutuasse. E conquista o amor de um jovem inglês e escritor, que se mudara para Paris e vivia numa água-furtada em Montmartre, bem em frente ao cabaret. Onde mais poderia viver um escritor estrangeiro em Paris? O filme se desenrola nas linhas escritas pelo jovem inglês que termina conquistando a bela.
Luhrmann não esquece a famosa gastronomia francesa. É bem verdade que a cena é rápida, mas a mesa é apetitosa e o prato preparado por ninguém menos que o mais famoso pintor de Montmartre. Toulouse Lautrec. Ele mesmo. E é amigo e cúmplice do escritor apaixonado que disputa a deusa com um conde mimado e vingativo.
O resto, só indo à locadora mais próxima. Mas, afirmam as escrituras pouco ou nada sagradas, as deusas são inatingíveis. Moulin Rouge merece ser visto mais de uma vez. Corre o risco de se tornar cult. Portanto, imperdível. Recomenda-se, para este filme, além da tradicional pipoca, uma taça de champagne. Pode ser rouge.