Mudar sem transformar
Mais resistente do que a aristocracia francesa e tão refinada quanto seus vizinhos, a aristocracia italiana e sua decadência tem seu mais perfeito retrato em “O Leopardo”, livro de Giuseppe di Lampedusa, ele mesmo um aristocrata que conta a história de seu pares e de sua própria vida nesse livro imperdível. Levado às telas pelo não menos genial Luchino Visconti, que escolheu o ator americano Burt Lancaster para viver o aristocrático Lampedusa e o ator francês Alain Delon para o papel de seu sobrinho, livro e filme nos trazem a Itália inteira, um país onde os cinco sentidos são insuficientes para entender tanta magnificência. Da arquitetura à moda, da cozinha à música, da elegância e beleza de seus homens e mulheres, a Itália de Lampedusa é também um lugar de misérias, camponeses pobres que pagam dízimo aos latifundiários.
O livro é mais conhecido pela famosa frase que encerra todo o cinismo da aristocracia e seus descendentes menos nobres, tais como as elites de alguns países. “Vamos mudar para que nada se transforme”, disse o conde Di Lampedusa quando viu que a revolução italiana comandada por Garibaldi reduzia direitos dos poderosos. O nobre senhor, grande proprietário de terras incentiva então seu sobrinho a aderir o exército revolucionário.
A lição de “O Leopardo’’ foi bem aprendida pelas elites brasileiras quando, há pouco mais de um ano perceberam que não podiam fabricar mais nenhum candidato à presidência da República e mergulharam no único nome com possibilidade de vitória. Mudaram. Para nada transformar.
Mas além desta frase que ficou famosa, o autor, ao pintar o retrato de sua classe social diz mais.
Seguem-se dois trechos desse livro de tanta sabedoria. O filme merece ser visto. Mais de uma vez.
“A aristocracia é uma classe difícil de ser suprimida porque, no fundo, ela mesmo se renova continuamente; quando preciso, ela sabe muito bem desaparecer, isto é, jogar uma semente no exato momento de morrer”.
“Por que Deus nos recusa morrer com nosso verdadeiro rosto. É sempre o mesmo: morre-se sob uma máscara, mesmo os jovens”.
Mais resistente do que a aristocracia francesa e tão refinada quanto seus vizinhos, a aristocracia italiana e sua decadência tem seu mais perfeito retrato em “O Leopardo”, livro de Giuseppe di Lampedusa, ele mesmo um aristocrata que conta a história de seu pares e de sua própria vida nesse livro imperdível. Levado às telas pelo não menos genial Luchino Visconti, que escolheu o ator americano Burt Lancaster para viver o aristocrático Lampedusa e o ator francês Alain Delon para o papel de seu sobrinho, livro e filme nos trazem a Itália inteira, um país onde os cinco sentidos são insuficientes para entender tanta magnificência. Da arquitetura à moda, da cozinha à música, da elegância e beleza de seus homens e mulheres, a Itália de Lampedusa é também um lugar de misérias, camponeses pobres que pagam dízimo aos latifundiários.
O livro é mais conhecido pela famosa frase que encerra todo o cinismo da aristocracia e seus descendentes menos nobres, tais como as elites de alguns países. “Vamos mudar para que nada se transforme”, disse o conde Di Lampedusa quando viu que a revolução italiana comandada por Garibaldi reduzia direitos dos poderosos. O nobre senhor, grande proprietário de terras incentiva então seu sobrinho a aderir o exército revolucionário.
A lição de “O Leopardo’’ foi bem aprendida pelas elites brasileiras quando, há pouco mais de um ano perceberam que não podiam fabricar mais nenhum candidato à presidência da República e mergulharam no único nome com possibilidade de vitória. Mudaram. Para nada transformar.
Mas além desta frase que ficou famosa, o autor, ao pintar o retrato de sua classe social diz mais.
Seguem-se dois trechos desse livro de tanta sabedoria. O filme merece ser visto. Mais de uma vez.
“A aristocracia é uma classe difícil de ser suprimida porque, no fundo, ela mesmo se renova continuamente; quando preciso, ela sabe muito bem desaparecer, isto é, jogar uma semente no exato momento de morrer”.
“Por que Deus nos recusa morrer com nosso verdadeiro rosto. É sempre o mesmo: morre-se sob uma máscara, mesmo os jovens”.