Nenhures, 25 de maio de 2004
A semana parece ter sido menos tumultuada. É bem verdade que, na Câmara, o presidente da casa, deputado João Paulo Cunha (PT/SP), foi derrotado na sua pretensão de continuar no posto por mais dois anos. O mesmo aconteceu no Senado, onde o atual presidente e ex-presidente da República, José Sarney (PMDB/AP). A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que permitia a reeleição dos presidentes da Câmara e do Senado foi derrotada e há quem veja no episódio uma derrota do Governo. Ainda é cedo para abraçar esta verdade.
Cedo porque o Governo o presidente Luis Inácio Lula da Silva teve o cuidado de dizer, antes da votação, que o esse era um assunto que diz respeito ao Legislativo. Palavras vãs, sabendo-se que o Congresso há muitos anos perdeu seus poderes e é apenas um apêndice que trabalha apenas em função do Executivo, legislando apenas sobre as medidas provisórias que, semanalmente, são despejadas pelo Palácio do Planalto.
É cedo dizer que foi uma derrota do Governo porque o arquivamento da proposta vai facilitar um rearranjo no tabuleiro do poder. O próximo passo do Governo pode ser o deslocamento do ministro José Dirceu de Oliveira e Silva, chefe do Gabinete Civil da presidência da República de volta à Câmara, para onde foi elito em 2002. Esse arranjo afasta um fantasma que ainda ronda o Palácio do Planalto desde que o principal colaborador do ministro José Dirceu, Waldomiro Diniz, foi denunciado por seu envolvimento com pedido de propinas a empresários do jogo do bicho. José Dirceu retomando seu mandato, seria eleito com facilidade para a presidência da Câmara, continuaria na articulação política do Governo (ele vem demonstarndo inapetência para o posto de gerente da Esplanada dos Ministérios) e, domaria qualquer tentativa de insubordinação dos deputados que ainda acreditam na independência dos poderes.
O problema é no Senado. Sarney queria o segundo mandato. É leal à aliança feita com Lula, não engoliu a derrota que foi articulada com sucesso pelo seu colega de partido, Renan Calheiros (AL) e, pode criar problemas. Há boatos de que Sarney deixaria o PMDB, filiando-se ao Partido da Frente Lliberal e, a partir daí lançaria o nome de sua filha Roseana (PFL/MA) para a presidência. Se esta for a estratégia a ser seguida, Lula pode se despreocupar porque o parlamento continuará no seu papel de apêndice.
O problema é que todo esse jogo vai acontecer depois das eleições municipais. E o resultado de outubro vai mudar em profundidade as relações entre o Governo e seus aliados.
Se o PT sair vitorioso nas grandes cidades, entre elas, São Paulo, Salvador, Porto Alegre, Recife e Rio de Janeiro, hipótese que parece cada dia mais distante porque, de acordo com a primeira pesquisa feita pelo Datafolha depois do lançamento de José Serra, do PSDB, a prefeita Marta Suplicy seria derrotada por Serra se as eleições fossem agora, a estratégia de Sarney terá êxito absoluto. Caso o PT perca, aí, salve-se quem puder. Dificilmente a base aliada permanecerá no cabresto. E Renan Calheiros tem chances de substituir Sarney na presidência do Senado.
Portanto, qualquer avaliação sobre vitória ou derrota do Governo ainda é prematura. Só depois de outubro, quando as urnas forem abertas é que se pode medir qual o tamanho do rombo provocado pela rejeição da proposta de emenda constitucional.
Enquanto outubro não chega, o Brasil se vê novamente às voltas com um novo escândalo de corrupção. Dessa vez, nas transações de compra de hemoderivados para o Ministério da Saúde. Uma corrupção que vinha sugando os cofres públicos há 12 anos e que o PT, com toda sua perspicácia para farejar os assaltos aos cofres públicos, não conseguiu enxergar o que se passava bem ao lado do ministro Humberto Costa. Ele levou para o Ministério um homem de sua confiança e que, de repente, assimilou os maus hábitos dos anos passados filiando-se à corrente da corrupção. Costa podia, pelo menos, pedir desculpas à sociedade e não ficar proclamando ter sido traído. Essa ladainha já foi rezada pelo ministro José Dirceu no ?caso Waldomiro?.
Saudações
Memélia Moreira
Editora
P.S.- Lula está na China desde o último sábado e, até agora, não cometeu nenhuma gafe. O povo grasileiro agradece.
A semana parece ter sido menos tumultuada. É bem verdade que, na Câmara, o presidente da casa, deputado João Paulo Cunha (PT/SP), foi derrotado na sua pretensão de continuar no posto por mais dois anos. O mesmo aconteceu no Senado, onde o atual presidente e ex-presidente da República, José Sarney (PMDB/AP). A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que permitia a reeleição dos presidentes da Câmara e do Senado foi derrotada e há quem veja no episódio uma derrota do Governo. Ainda é cedo para abraçar esta verdade.
Cedo porque o Governo o presidente Luis Inácio Lula da Silva teve o cuidado de dizer, antes da votação, que o esse era um assunto que diz respeito ao Legislativo. Palavras vãs, sabendo-se que o Congresso há muitos anos perdeu seus poderes e é apenas um apêndice que trabalha apenas em função do Executivo, legislando apenas sobre as medidas provisórias que, semanalmente, são despejadas pelo Palácio do Planalto.
É cedo dizer que foi uma derrota do Governo porque o arquivamento da proposta vai facilitar um rearranjo no tabuleiro do poder. O próximo passo do Governo pode ser o deslocamento do ministro José Dirceu de Oliveira e Silva, chefe do Gabinete Civil da presidência da República de volta à Câmara, para onde foi elito em 2002. Esse arranjo afasta um fantasma que ainda ronda o Palácio do Planalto desde que o principal colaborador do ministro José Dirceu, Waldomiro Diniz, foi denunciado por seu envolvimento com pedido de propinas a empresários do jogo do bicho. José Dirceu retomando seu mandato, seria eleito com facilidade para a presidência da Câmara, continuaria na articulação política do Governo (ele vem demonstarndo inapetência para o posto de gerente da Esplanada dos Ministérios) e, domaria qualquer tentativa de insubordinação dos deputados que ainda acreditam na independência dos poderes.
O problema é no Senado. Sarney queria o segundo mandato. É leal à aliança feita com Lula, não engoliu a derrota que foi articulada com sucesso pelo seu colega de partido, Renan Calheiros (AL) e, pode criar problemas. Há boatos de que Sarney deixaria o PMDB, filiando-se ao Partido da Frente Lliberal e, a partir daí lançaria o nome de sua filha Roseana (PFL/MA) para a presidência. Se esta for a estratégia a ser seguida, Lula pode se despreocupar porque o parlamento continuará no seu papel de apêndice.
O problema é que todo esse jogo vai acontecer depois das eleições municipais. E o resultado de outubro vai mudar em profundidade as relações entre o Governo e seus aliados.
Se o PT sair vitorioso nas grandes cidades, entre elas, São Paulo, Salvador, Porto Alegre, Recife e Rio de Janeiro, hipótese que parece cada dia mais distante porque, de acordo com a primeira pesquisa feita pelo Datafolha depois do lançamento de José Serra, do PSDB, a prefeita Marta Suplicy seria derrotada por Serra se as eleições fossem agora, a estratégia de Sarney terá êxito absoluto. Caso o PT perca, aí, salve-se quem puder. Dificilmente a base aliada permanecerá no cabresto. E Renan Calheiros tem chances de substituir Sarney na presidência do Senado.
Portanto, qualquer avaliação sobre vitória ou derrota do Governo ainda é prematura. Só depois de outubro, quando as urnas forem abertas é que se pode medir qual o tamanho do rombo provocado pela rejeição da proposta de emenda constitucional.
Enquanto outubro não chega, o Brasil se vê novamente às voltas com um novo escândalo de corrupção. Dessa vez, nas transações de compra de hemoderivados para o Ministério da Saúde. Uma corrupção que vinha sugando os cofres públicos há 12 anos e que o PT, com toda sua perspicácia para farejar os assaltos aos cofres públicos, não conseguiu enxergar o que se passava bem ao lado do ministro Humberto Costa. Ele levou para o Ministério um homem de sua confiança e que, de repente, assimilou os maus hábitos dos anos passados filiando-se à corrente da corrupção. Costa podia, pelo menos, pedir desculpas à sociedade e não ficar proclamando ter sido traído. Essa ladainha já foi rezada pelo ministro José Dirceu no ?caso Waldomiro?.
Saudações
Memélia Moreira
Editora
P.S.- Lula está na China desde o último sábado e, até agora, não cometeu nenhuma gafe. O povo grasileiro agradece.
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