NAS ENTRELINHAS                                 


MUNDO DO TRABALHO

de Memélia Moreira

Terça-feira, Março 16, 2004

ELEIÇÕES NO MAIOR SINDICATO DO BRASIL

A campanha para ocupar a direção do sindicato dos professores universitários, o ANDES (Associação Nacional dos Docentes de Instituições Superiores), o maior sindicato do Brasil, já começou. Três chapas se inscreveram: “Educação e Revolução”, integrada por militantes de partidos de extrema esquerda e encabeçada pela professora Maria de Lourdes sarmento; “Uma Nova Andes é possível- Plural e de luta”, que tem como candidato à presidência o professor Gil Vicente de Figueredo e é apoiado pelo PT e pelo PcdoB e a cahpa “Andes Autônoma e Democrática”, que tem como cabeça de chapa a professora Marina Barbosa Pinto.
A chapa liderada pela professora Marina Barbosa é integrada por professores politicamente independentes embora a maioria deles seja filiada a partidos de esquerda ou são eleitores de candidatos progressistas. Todos eles ocuparam posição de vanguarda nos movimentos grevistas promovidos pelo ANDES e são responsáveis, inclusive, pelo declínio político do ex-ministro da Educação, Paulo Renato de Souza, que pretendia disputar as eleições preidenciais de 2002 pelo PSDB e terminou se desgastando durante a greve de 2001 quando o governo chegou a travar uma verdadeira batalha jurídica contra os grevistas, perdendo todas as ações na Justiça.
O governo vai acompanhar e tentar influenciar as eleições. O próprio chefe do Gabinete Civil da presidência da República, ministro José Dirceu, tem interese em derrotar a chapa “Andes Autônoma e Democrática” uma vez que seus integrantes estão na linha de frente das principais manifestações contra as reformas do Governo. Os candidatos desta chapa têm apoio do ex-presidente do ANDES, Roberto Lehrer que derrotou os candidatos petistas em 2000.
Dentro da linha de independência que vem sendo sustentada pelo ANDES nos últimos quatro anos, o congresso nacional da entidade, reunido na primeira semana de março em Salvador, Bahia, divulgou documento com críticas às reformas sindical e trabalhista do governo Lula, afirmando ainda que este governo “em sua política interna e externa, social, econômica e educacional, pauta-se, lamentavelmente, pelo atendimento dos interesses do grande capital mundial e de seus aliados locais”.
As eleições vão acontecer em maio e prometem sofrer ingerências do Governo via Marcelo Sereno, assessor do ministro Jisé Dirceu.

Quinta-feira, Março 04, 2004

UM OLHAR SOBRE A PRAIA DO FORTE , ALÉM DA VISÃO DO TURISMO
Raquel Grando

A Praia do Forte é um povoado do Litoral Norte do Estado da Bahia, situado a 80 km de Salvador, podendo ser alcançado pela rodovia BA-099 conhecida como “Linha Verde” ou “Estrada do Coco”. Compreende uma faixa de aproximadamente 14 km ao longo da costa norte, e faz parte da Área de Proteção Ambiental Litoral Norte (APA) desde 1992.
Existe no local uma variedade de ambientes naturais, extremamente diversos em termos de beleza e vida, remanescentes de Mata Atlântica, mangues, rios, que se permeiam com dunas e ricos recifes de coral.
Além disso, a Praia do Forte chama a atenção da mídia por ser o refúgio de animais carismáticos, ameaçados de extinção, como espécies de tartarugas marinhas, e as baleias jubarte (Megaptera novaeangliae), que freqüentam estas praias nos seus períodos reprodutivos. Por este motivo, importantes projetos ambientais existem no local, como o Projeto TAMAR-IBAMA (que protege as tartarugas marinhas) e o Projeto Baleia Jubarte.
Com todos estes atrativos, além de um dos mais importantes Resorts da região, a Praia do Forte recebe um fluxo grande de turistas, em busca do “paraíso ecológico”, contato com a natureza e tranqüilidade.
Entretanto, o que não se mostra nas propagandas é que existe no local uma comunidade nativa muito rica culturalmente, com uma identidade própria, e que, para as campanhas turísticas e publicitárias, é vista como mais uma das atrações, onde se ressaltam o seu lado “rústico” e “primitivo”. O que se esquece é que estes moradores existem no local há muito mais tempo deste se tornar uma atração ecoturística, e que, devido à todas as mudanças promovidas para receber o turista, estas pessoas foram privadas de freqüentar os locais naturais da mesma forma como freqüentavam nos tempos das gerações mais antigas. Estamos falando aqui de direitos. Direitos de acesso a terra, de decidir e optar sobre as mudanças no seu habitat, de serem consultados e ouvidos.
Mas, chamo a atenção aqui para o mar, uma das atrações mais convidativas. Nele se percebem embarcações simples de pesca, saveiros, jangadas, e grupos de homens jogando tarrafa, pescando de linha. São os trabalhadores do mar, pescadores artesanais, que ainda possuem uma rica cultura de pesca, apesar de toda a “modernidade” que se encontra inserida a comunidade. E, embora seja totalmente descaracterizada como uma “tradicional vila de pescadores”, rótulo que a propaganda turística adota, observa-se que os pescadores da Praia do Forte ainda guardam um rico conhecimento a respeito do ambiente marinho, de suas espécies, de seus ciclos naturais, e das suas características ambientais. E, principalmente, suas práticas apresentam uma sustentabilidade ecológica.
Este conhecimento tradicional sofre forte ameaça, pois, diante de outras oportunidades e trabalho, e da falta de políticas governamentais que incentivem a pesca artesanal, as gerações mais novas não se interessam mais por estas práticas, prejudicando, assim, a tradição da oralidade, tão importante para a transmissão e manutenção deste conhecimento.
A falta de políticas de incentivo é uma das maiores ameaças à pesca artesanal na região, políticas que favoreçam estes trabalhadores e os valorizem, já que sua produção é significativa para os mercados locais, além de esta atividade ser uma importante fonte de renda para muitos destes moradores de comunidades litorâneas.
Num sentido mais amplo, observa-se que o problema na Praia do Forte está na falta de uma política que dê voz a comunidade, para que possam se manifestar sobre os seus direitos, como moradores antigos que vivem e usufruem deste local muito antes da chegada dos agentes externos, e que atualmente se vêem tolhidos dos seus direitos. Dessa forma, a comunidade se vê forçada a mudar seus antigos hábitos para se adaptar a estas mudanças, somente assim podem sobreviver.
Portanto, é importante olhar além do que a propaganda veicula, ao se visitar vilas litorâneas, como a Praia do Forte, atento para o olhar sobre os seus moradores, sua cultura, e, o mais importante, ter o respeito por estas pessoas e por sua terra.

UM OLHAR SOBRE A PRAIA DO FORTE , ALÉM DA VISÃO DO TURISMO
Raquel Grando

A Praia do Forte é um povoado do Litoral Norte do Estado da Bahia, situado a 80 km de Salvador, podendo ser alcançado pela rodovia BA-099 conhecida como “Linha Verde” ou “Estrada do Coco”. Compreende uma faixa de aproximadamente 14 km ao longo da costa norte, e faz parte da Área de Proteção Ambiental Litoral Norte (APA) desde 1992.
Existe no local uma variedade de ambientes naturais, extremamente diversos em termos de beleza e vida, remanescentes de Mata Atlântica, mangues, rios, que se permeiam com dunas e ricos recifes de coral.
Além disso, a Praia do Forte chama a atenção da mídia por ser o refúgio de animais carismáticos, ameaçados de extinção, como espécies de tartarugas marinhas, e as baleias jubarte (Megaptera novaeangliae), que freqüentam estas praias nos seus períodos reprodutivos. Por este motivo, importantes projetos ambientais existem no local, como o Projeto TAMAR-IBAMA (que protege as tartarugas marinhas) e o Projeto Baleia Jubarte.
Com todos estes atrativos, além de um dos mais importantes Resorts da região, a Praia do Forte recebe um fluxo grande de turistas, em busca do “paraíso ecológico”, contato com a natureza e tranqüilidade.
Entretanto, o que não se mostra nas propagandas é que existe no local uma comunidade nativa muito rica culturalmente, com uma identidade própria, e que, para as campanhas turísticas e publicitárias, é vista como mais uma das atrações, onde se ressaltam o seu lado “rústico” e “primitivo”. O que se esquece é que estes moradores existem no local há muito mais tempo deste se tornar uma atração ecoturística, e que, devido à todas as mudanças promovidas para receber o turista, estas pessoas foram privadas de freqüentar os locais naturais da mesma forma como freqüentavam nos tempos das gerações mais antigas. Estamos falando aqui de direitos. Direitos de acesso a terra, de decidir e optar sobre as mudanças no seu habitat, de serem consultados e ouvidos.
Mas, chamo a atenção aqui para o mar, uma das atrações mais convidativas. Nele se percebem embarcações simples de pesca, saveiros, jangadas, e grupos de homens jogando tarrafa, pescando de linha. São os trabalhadores do mar, pescadores artesanais, que ainda possuem uma rica cultura de pesca, apesar de toda a “modernidade” que se encontra inserida a comunidade. E, embora seja totalmente descaracterizada como uma “tradicional vila de pescadores”, rótulo que a propaganda turística adota, observa-se que os pescadores da Praia do Forte ainda guardam um rico conhecimento a respeito do ambiente marinho, de suas espécies, de seus ciclos naturais, e das suas características ambientais. E, principalmente, suas práticas apresentam uma sustentabilidade ecológica.
Este conhecimento tradicional sofre forte ameaça, pois, diante de outras oportunidades e trabalho, e da falta de políticas governamentais que incentivem a pesca artesanal, as gerações mais novas não se interessam mais por estas práticas, prejudicando, assim, a tradição da oralidade, tão importante para a transmissão e manutenção deste conhecimento.
A falta de políticas de incentivo é uma das maiores ameaças à pesca artesanal na região, políticas que favoreçam estes trabalhadores e os valorizem, já que sua produção é significativa para os mercados locais, além de esta atividade ser uma importante fonte de renda para muitos destes moradores de comunidades litorâneas.
Num sentido mais amplo, observa-se que o problema na Praia do Forte está na falta de uma política que dê voz a comunidade, para que possam se manifestar sobre os seus direitos, como moradores antigos que vivem e usufruem deste local muito antes da chegada dos agentes externos, e que atualmente se vêem tolhidos dos seus direitos. Dessa forma, a comunidade se vê forçada a mudar seus antigos hábitos para se adaptar a estas mudanças, somente assim podem sobreviver.
Portanto, é importante olhar além do que a propaganda veicula, ao se visitar vilas litorâneas, como a Praia do Forte, atento para o olhar sobre os seus moradores, sua cultura, e, o mais importante, ter o respeito por estas pessoas e por sua terra.