COMEMORAÇÃO COM SINAIS DE INQUIETUDE
O povo argentino voltou às ruas no final de semana. Estava comemorando dois anos da rebelião popular que escorraçou o ex-presidente Fernando De La Rua da Casa Rosada. Naquele 2001 foram dias de violência e reafirmação de cidadania. O povo enxotando o homem que seguiu à risca as orientações do Fundo Monetário Internacional e levou o país ao abismo.
Nas comemorações, entretanto, um sinal de inquietude. Primeiro, o atentado à bomba que deixou 25 feridos, alguns em estado grave, no ato promovido pelo Bloco Piqueteiro Nacional. Já não há hoje, em Buenos Aires, quem tenha dúvidas sobre a intenção criminosa dos autores da bomba. Falta apenas identificar o responsável. Os movimentos de extrema direita da Argentina continuam em plena atividade, tanto os integrantes da “Tríplice A” (Aliança Argentina Anti-comunista) quanto os remanescentes dos torturadores permanecem em postos importantes nos meios policiais. E a direita apoia o presidente Nestor Kirchner que tenta dissolver o movimento dos piqueteiros.
O outro sinal de inquietação diz respeito à própria estabilidade política do país. Ainda mergulhada numa profunda crise, a sociedade argentina está começando a rejeitar o discurso populista do presidente Nestor Kirchner. Embora ele tenha decretado moratória, está negociando, discretamente, acordos com o Banco Mundial e com o Fundo Monetário Internacional. E todos sabem quais as conseqüências desses acordos.
Ora, foi exatamente contra esses acordos, responsáveis pela falência financeira na qual mergulhou a Argentina, que o povo foi às ruas e botou três presidentes para correr, em menos de dois meses. A retomada desses acordos com instituições finananceiras internacionais – que não mudam suas regras, mesmo diante das catástrofes que provocam no continente latino-americano – estão sendo rejeitadas pelo povo. Há cada dia sinais visíveis de desaprovação do Governo. Em um ano, a aprovação do presidente despencou em mais de 20%, apesar de Kirchner ainda estar sendo festejado por movimentos sindicais. A estas inquietações, acrescenta-se ainda denúncias de corrupção envolvendo parlamentares da base do governo.
É bem verdade que a esquerda está dividida em dezenas de movimentos mas, altivos e rebeldes e ainda insatisfeitos porque não recuperaram seu antigo padrão de vida, os argentinos podem superar essas divisões internas a qualquer momento, principalmente se for confirmado um novo acordo com o Fundo Monetário Internacional exigindo mais arrocho econômico. E eles disseram isso nas comemorações.
O povo argentino voltou às ruas no final de semana. Estava comemorando dois anos da rebelião popular que escorraçou o ex-presidente Fernando De La Rua da Casa Rosada. Naquele 2001 foram dias de violência e reafirmação de cidadania. O povo enxotando o homem que seguiu à risca as orientações do Fundo Monetário Internacional e levou o país ao abismo.
Nas comemorações, entretanto, um sinal de inquietude. Primeiro, o atentado à bomba que deixou 25 feridos, alguns em estado grave, no ato promovido pelo Bloco Piqueteiro Nacional. Já não há hoje, em Buenos Aires, quem tenha dúvidas sobre a intenção criminosa dos autores da bomba. Falta apenas identificar o responsável. Os movimentos de extrema direita da Argentina continuam em plena atividade, tanto os integrantes da “Tríplice A” (Aliança Argentina Anti-comunista) quanto os remanescentes dos torturadores permanecem em postos importantes nos meios policiais. E a direita apoia o presidente Nestor Kirchner que tenta dissolver o movimento dos piqueteiros.
O outro sinal de inquietação diz respeito à própria estabilidade política do país. Ainda mergulhada numa profunda crise, a sociedade argentina está começando a rejeitar o discurso populista do presidente Nestor Kirchner. Embora ele tenha decretado moratória, está negociando, discretamente, acordos com o Banco Mundial e com o Fundo Monetário Internacional. E todos sabem quais as conseqüências desses acordos.
Ora, foi exatamente contra esses acordos, responsáveis pela falência financeira na qual mergulhou a Argentina, que o povo foi às ruas e botou três presidentes para correr, em menos de dois meses. A retomada desses acordos com instituições finananceiras internacionais – que não mudam suas regras, mesmo diante das catástrofes que provocam no continente latino-americano – estão sendo rejeitadas pelo povo. Há cada dia sinais visíveis de desaprovação do Governo. Em um ano, a aprovação do presidente despencou em mais de 20%, apesar de Kirchner ainda estar sendo festejado por movimentos sindicais. A estas inquietações, acrescenta-se ainda denúncias de corrupção envolvendo parlamentares da base do governo.
É bem verdade que a esquerda está dividida em dezenas de movimentos mas, altivos e rebeldes e ainda insatisfeitos porque não recuperaram seu antigo padrão de vida, os argentinos podem superar essas divisões internas a qualquer momento, principalmente se for confirmado um novo acordo com o Fundo Monetário Internacional exigindo mais arrocho econômico. E eles disseram isso nas comemorações.