OPORTUNIDADE PERDIDA
As lideranças dos povos indígenas que vivem no Brasil estiveram ausentes na reunião da ALCA em Miami. Com isso, perderam uma excelente oportunidade de trocar experiências com índios de outros países da América Latina e denunciar também os problemas que estão vivendo, principalmente a escalada de violência, ameaças de perda territorial e invasão de terras por garimpeiros e grandes empresários do setor agro-industrial.
Na jornada de protestos contra a ALCA, que durou uma semana, representantes da CONAIE (Confederação das Nacionalidades Indígenas do Equador), bem como líderes indígenas do México, Guatemala, Bolívia e Peru apresentaram suas reivindicações e discutiram os problemas que que serão criados a partir da implantação da ALCA. A maior preocupação dos líderes indígenas se refere à privatização das fontes de água, um dos ítens da agenda da área de Livre Comércio das Américas.
“Não temos dinheiro para pagar a água e vamos ter dificuldade para plantar, quando a ALCA privatizar os rios”, disse Blanca, representante da CONAIE. Exigindo a imediata demissão da ministra do Comércio de seu país, Ivonne Baki, que já abriu negociações para um acordo bilateral com os Estados Unidos, Blanca falou firme no encontro entre organizações camponesas e autoridades, reivindicando maior transparência nas negociações.
Ela aproveitou também para criticar o escritor peruano Mário Vargas Llosa que num seminário em Bogotá acusou os povos indígenas do continente de promoverem a desestabilização das democracias da América do Sul. “Lamentável que um homem tão respeitado tenha essa opinião. Mais lamentável ainda porque ele nunca fez uma crítica séria sobre Alberto Fujimori, ex-presidente de seu país”.
Líderes indígenas do México bastante discretos em todos os grupos de trabalho, convidaram os ativistas presentes à Marcha de Miami para o encontro que vai acontecer no México em maio do próximo ano, quando serão discutidos os efeitos da globalização sobre os direitos indígenas. Eles representam 15% da população daquele país mas, historicamente, vêm sendo esbulhados de suas terras e, obrigados a migrar para as grandes cidades, onde recebem salário menor que os não índios. Com a ALCA, os índios mexicanos, principalmente aqueles que vivem na fronteira, serão as primeiras vítimas da degradação ambiental que vem crescendo desde a implantação da NAFTA.
Revoltados com as restrições impostas pela polícia de Miami contra a marcha que percorreu o centro da cidade, os líderes indígenas decidiram não participar da caminhada. “Não tem sentido. Quem vai nos ver, quem vai nos ouvir? Se é só para andar a pé, passeando, não vamos”, protestou Ramón Quesada, índio da Guatemala.
DE VOLTA ÀS CAMPANHAS
O governo de Luis Inácio Lula da Silva começa a perder sua credibilidade internacional. Onze meses depois da posse, Lula já enfrenta a primeira campanha promovida pela Survival International, organização não-governamental, com sede em Londres, que defende os direitos dos povos autóctones em todo o mundo. Desta vez, a Survival se mobiliza pela homologação da terra Indígena Raposa/Serra do Sol, em Roraima.
Na sua convocação internacional, a Survival convida a todos para mandar cartas ao presidente da República do Brasil e ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, com os seguintes dizeres: “O atraso da homologação de Raposa/Serra do Sol está levando a um aumento de invasões dessa área e mais violência contra os povos que lá vivem. A Constituição brasileira especifica que os povos indígenas têm o direito de ocupar e usar a terra na qual vivem desde tempos imemoriais. Raposa/Serra do Sol foi demarcada como território único e contínuo, e é essencial que assim seja homologada por decreto presidencial para salvaguardar o território e o futuro de seus habitantes, os Makuxi, Wapixana, Ingarikó e Pantomano, que lutam para sobreviver às forças políticas e interesses econômicos do Estado de Roraima”.
O silêncio do governo sobre a homologação só não é mais surpreendente do que o silêncio do Ministério Público Federal. Desde 1988, a Procuradoria Geral da República é responsável pela defesa dos direitos e interesses indígenas. Em 1991, quando o então presidente Fernando Collor hesitava em demarcar e homologar a Terra Indígena Yanomami, também em Roraima, o procurador geral da época, Aristides Junqueira, anunciou sua disposição de denunciar o presidente da República por crime de responsabilidade. A medida foi desnecessária porque Collor terminou homologando, depois de uma intensa campanha internacional.
Agora, quando os povos indígenas que vivem no território de Raposa/Serra do Sol, ameaçados pelos plantadores de arroz que estão despejando toneladas de fertilizantes químicos na terra, envenenando os rios da região e quando garimpeiros atuam livremente no rio Maú, há um silêncio total por parte do Ministério Público que tem o dever de fazer respeitar a Constituição.
As lideranças dos povos indígenas que vivem no Brasil estiveram ausentes na reunião da ALCA em Miami. Com isso, perderam uma excelente oportunidade de trocar experiências com índios de outros países da América Latina e denunciar também os problemas que estão vivendo, principalmente a escalada de violência, ameaças de perda territorial e invasão de terras por garimpeiros e grandes empresários do setor agro-industrial.
Na jornada de protestos contra a ALCA, que durou uma semana, representantes da CONAIE (Confederação das Nacionalidades Indígenas do Equador), bem como líderes indígenas do México, Guatemala, Bolívia e Peru apresentaram suas reivindicações e discutiram os problemas que que serão criados a partir da implantação da ALCA. A maior preocupação dos líderes indígenas se refere à privatização das fontes de água, um dos ítens da agenda da área de Livre Comércio das Américas.
“Não temos dinheiro para pagar a água e vamos ter dificuldade para plantar, quando a ALCA privatizar os rios”, disse Blanca, representante da CONAIE. Exigindo a imediata demissão da ministra do Comércio de seu país, Ivonne Baki, que já abriu negociações para um acordo bilateral com os Estados Unidos, Blanca falou firme no encontro entre organizações camponesas e autoridades, reivindicando maior transparência nas negociações.
Ela aproveitou também para criticar o escritor peruano Mário Vargas Llosa que num seminário em Bogotá acusou os povos indígenas do continente de promoverem a desestabilização das democracias da América do Sul. “Lamentável que um homem tão respeitado tenha essa opinião. Mais lamentável ainda porque ele nunca fez uma crítica séria sobre Alberto Fujimori, ex-presidente de seu país”.
Líderes indígenas do México bastante discretos em todos os grupos de trabalho, convidaram os ativistas presentes à Marcha de Miami para o encontro que vai acontecer no México em maio do próximo ano, quando serão discutidos os efeitos da globalização sobre os direitos indígenas. Eles representam 15% da população daquele país mas, historicamente, vêm sendo esbulhados de suas terras e, obrigados a migrar para as grandes cidades, onde recebem salário menor que os não índios. Com a ALCA, os índios mexicanos, principalmente aqueles que vivem na fronteira, serão as primeiras vítimas da degradação ambiental que vem crescendo desde a implantação da NAFTA.
Revoltados com as restrições impostas pela polícia de Miami contra a marcha que percorreu o centro da cidade, os líderes indígenas decidiram não participar da caminhada. “Não tem sentido. Quem vai nos ver, quem vai nos ouvir? Se é só para andar a pé, passeando, não vamos”, protestou Ramón Quesada, índio da Guatemala.
DE VOLTA ÀS CAMPANHAS
O governo de Luis Inácio Lula da Silva começa a perder sua credibilidade internacional. Onze meses depois da posse, Lula já enfrenta a primeira campanha promovida pela Survival International, organização não-governamental, com sede em Londres, que defende os direitos dos povos autóctones em todo o mundo. Desta vez, a Survival se mobiliza pela homologação da terra Indígena Raposa/Serra do Sol, em Roraima.
Na sua convocação internacional, a Survival convida a todos para mandar cartas ao presidente da República do Brasil e ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, com os seguintes dizeres: “O atraso da homologação de Raposa/Serra do Sol está levando a um aumento de invasões dessa área e mais violência contra os povos que lá vivem. A Constituição brasileira especifica que os povos indígenas têm o direito de ocupar e usar a terra na qual vivem desde tempos imemoriais. Raposa/Serra do Sol foi demarcada como território único e contínuo, e é essencial que assim seja homologada por decreto presidencial para salvaguardar o território e o futuro de seus habitantes, os Makuxi, Wapixana, Ingarikó e Pantomano, que lutam para sobreviver às forças políticas e interesses econômicos do Estado de Roraima”.
O silêncio do governo sobre a homologação só não é mais surpreendente do que o silêncio do Ministério Público Federal. Desde 1988, a Procuradoria Geral da República é responsável pela defesa dos direitos e interesses indígenas. Em 1991, quando o então presidente Fernando Collor hesitava em demarcar e homologar a Terra Indígena Yanomami, também em Roraima, o procurador geral da época, Aristides Junqueira, anunciou sua disposição de denunciar o presidente da República por crime de responsabilidade. A medida foi desnecessária porque Collor terminou homologando, depois de uma intensa campanha internacional.
Agora, quando os povos indígenas que vivem no território de Raposa/Serra do Sol, ameaçados pelos plantadores de arroz que estão despejando toneladas de fertilizantes químicos na terra, envenenando os rios da região e quando garimpeiros atuam livremente no rio Maú, há um silêncio total por parte do Ministério Público que tem o dever de fazer respeitar a Constituição.