DESORDEM INSTITUCIONAL
O governador de Roraima, Flamarion Portela não acerta uma. Filiou-se ao Partido dos Trabalhadores depois de eleito porque achava que assim conseguiria um passaporte para a impunidade e foi obrigado a pedir licença; declarou-se inocente no escândalo dos gafanhotos e o Ministério Público Federal descobruiu suas digitais no esquema de corrupção e agora promoveu uma desordem institucional para tentar impedir a homologação de Raposa/Serra do Sol em área contínua, foi a Brasília acreditando que o Governo ia se deixar enganar e voltou para Boa Vista de mãos abanando.
Dessa vez, ele exagerou. O caos instalado em Boa Vista ao longo da semana passada tinha autor intelectual conhecido. Tanto no Ministério da Justiça quanto no Gabinete Civil da presidência da República, ministros e assessores sabiam que por trás do movimento que transformou três missionários em reféns; invadiu instalações de órgãos públicos e usou índios que são assalariados dos fazendeiros para protestar contra a homologação da Terra Indígena de Raposa/Serra do Sol estava o governador Flamarion Portela.
A estratégia de fazer agitação no momento em que governos decidem homologar uma área indígena é conhecida em Roraima. Foi assim quando o presidente Fernando Collor homologou a Terra Yanomami. Na época, o governador era o hoje senador Romero Jucá e Boa Vista foi novamente invadida. Naquele ano não eram plantadores de arroz, eram garimpeiros. O então procurador-geral da República, Aristides Junqueira chegou a ser cercado pelos garimpeiros que, além de invadir uma terra indígena, eram responsáveis também pelo maior desastre ecológico já acontecido em Roraima, com a poluição de todos os grandes afluentes e sub-afluentes do rio Branco, que banha aquele Estado. Tanto quanto Flamarion, Jucá também estava incentivando a desordem, mas também perdeu a parada.
Os argumentos contra a homologação da área contínua de 1.678.800 hecatres para abrigar os povos Makuxi, Ingarikó, Potomano e Wapixana são inúmeros e variados. Os plantadores de arroz dizem que estão produzindo riqueza para o Estado. A bem da verdade, eles só se lembraram de começar a produzir essa riqueza em 1998, quando a terra já estava demarcada. Antes, importavam arroz do sul do Brasil.
Por sua vez, o governador afirma que Roraima vai se tornar um estado inviável com a homologação. Ora, parece piada. O que torna um estado inviável não é o justo reconhecimento de que esses povos são donos da terra. O que torna um estado inviável é a corrupção, a ausência de políticas públicas, a inação. Se fosse por isso, anta Catarina seria um estado bem pobre e inviável. Com área territorial menor do que a de Roraima, aquele estado também tem parte de suas terras demarcadas para o povo Kaingang e Guarani e, nem por isso é um estado miserável. Se territórios exíguos fossem sinônimo de inviabilidade para crescimento econômico e riqueza, Espanha, França, Noruega, só para citar alguns, seriam países pobres. Convenhamos, esse governador precisa se informar antes de sair dizendo bobagens dignas de iletrados.
Mas todo esse problema poderia ter sido evitado se o Governo Federal já tivesse assinado a homologação. A demora em tomar decisões provoca ansiedades e cria vazios políticos. Há 372 dias no Governo, Lula já poderia ter assinado. Afinal de contas, não há necessidade de orçamento extra para tinta de caneta e folha de papel para decreto. O que falta mesmo é decisão. Não adianta ficar anunciando que vai homologar e deixar o caos se instalar.
Não há qualquer dúvida histórica sobre a terra. Ela é do povo indpigena e foi reconhecida como tal desde 1904, quando, numa disputa de fronteira com a Inglaterra, Joaquim Nabuco disse que aquele território era brasileiro e não inglês porque os índios que ali viviam tinham nomes portugueses.
Guardiães da nossa fronteira, os Makuxi, Ingarikó, Wapixana e Potomano esperam agora apenas o reconhecimento legal de seu território.
O governador de Roraima, Flamarion Portela não acerta uma. Filiou-se ao Partido dos Trabalhadores depois de eleito porque achava que assim conseguiria um passaporte para a impunidade e foi obrigado a pedir licença; declarou-se inocente no escândalo dos gafanhotos e o Ministério Público Federal descobruiu suas digitais no esquema de corrupção e agora promoveu uma desordem institucional para tentar impedir a homologação de Raposa/Serra do Sol em área contínua, foi a Brasília acreditando que o Governo ia se deixar enganar e voltou para Boa Vista de mãos abanando.
Dessa vez, ele exagerou. O caos instalado em Boa Vista ao longo da semana passada tinha autor intelectual conhecido. Tanto no Ministério da Justiça quanto no Gabinete Civil da presidência da República, ministros e assessores sabiam que por trás do movimento que transformou três missionários em reféns; invadiu instalações de órgãos públicos e usou índios que são assalariados dos fazendeiros para protestar contra a homologação da Terra Indígena de Raposa/Serra do Sol estava o governador Flamarion Portela.
A estratégia de fazer agitação no momento em que governos decidem homologar uma área indígena é conhecida em Roraima. Foi assim quando o presidente Fernando Collor homologou a Terra Yanomami. Na época, o governador era o hoje senador Romero Jucá e Boa Vista foi novamente invadida. Naquele ano não eram plantadores de arroz, eram garimpeiros. O então procurador-geral da República, Aristides Junqueira chegou a ser cercado pelos garimpeiros que, além de invadir uma terra indígena, eram responsáveis também pelo maior desastre ecológico já acontecido em Roraima, com a poluição de todos os grandes afluentes e sub-afluentes do rio Branco, que banha aquele Estado. Tanto quanto Flamarion, Jucá também estava incentivando a desordem, mas também perdeu a parada.
Os argumentos contra a homologação da área contínua de 1.678.800 hecatres para abrigar os povos Makuxi, Ingarikó, Potomano e Wapixana são inúmeros e variados. Os plantadores de arroz dizem que estão produzindo riqueza para o Estado. A bem da verdade, eles só se lembraram de começar a produzir essa riqueza em 1998, quando a terra já estava demarcada. Antes, importavam arroz do sul do Brasil.
Por sua vez, o governador afirma que Roraima vai se tornar um estado inviável com a homologação. Ora, parece piada. O que torna um estado inviável não é o justo reconhecimento de que esses povos são donos da terra. O que torna um estado inviável é a corrupção, a ausência de políticas públicas, a inação. Se fosse por isso, anta Catarina seria um estado bem pobre e inviável. Com área territorial menor do que a de Roraima, aquele estado também tem parte de suas terras demarcadas para o povo Kaingang e Guarani e, nem por isso é um estado miserável. Se territórios exíguos fossem sinônimo de inviabilidade para crescimento econômico e riqueza, Espanha, França, Noruega, só para citar alguns, seriam países pobres. Convenhamos, esse governador precisa se informar antes de sair dizendo bobagens dignas de iletrados.
Mas todo esse problema poderia ter sido evitado se o Governo Federal já tivesse assinado a homologação. A demora em tomar decisões provoca ansiedades e cria vazios políticos. Há 372 dias no Governo, Lula já poderia ter assinado. Afinal de contas, não há necessidade de orçamento extra para tinta de caneta e folha de papel para decreto. O que falta mesmo é decisão. Não adianta ficar anunciando que vai homologar e deixar o caos se instalar.
Não há qualquer dúvida histórica sobre a terra. Ela é do povo indpigena e foi reconhecida como tal desde 1904, quando, numa disputa de fronteira com a Inglaterra, Joaquim Nabuco disse que aquele território era brasileiro e não inglês porque os índios que ali viviam tinham nomes portugueses.
Guardiães da nossa fronteira, os Makuxi, Ingarikó, Wapixana e Potomano esperam agora apenas o reconhecimento legal de seu território.