Nenhures, 31 de agosto de 2004
Estamos de volta. Depois de uma longa viagem que incluiu cenários reais dos westerns americanos, retomamos nossos contato. No retorno, uma surpresa: a demonstraçaõ explicíta do caráter autoritário de Luis Inácio Lula da Silva. Seu Governo não apenas mandou mensagem ao Congresso para que seja votada a lei que cria o Conselho Federal de Jornalismo mas, ainda, chamou de "covardes" os profissionais que rechaçaram mais uma tentativa de censura à informação e, conseqüentemente, à liberdade de investigação conquistada pela imprensa depois do longo ciclo militar.
Em protesto às declarações do presidente da República, escrevi uma carta e mandei aos amigos. Para minha surpresa, a carta se propagou de ponta a ponta do Brasil e recebi dezenas de manifestações de encorajamento e, principalmente de protestos contra o Governo.
Tentei entender o fenômeno e aqui vão algumas considerações. A primeira delas diz respeito à insatisfação. As respostas de pesoas que não conheço me mostraram que o Brasil vive hoje não apenas uma profunda frustração com seu governo mas, principalmente uma necessidade enorme de manifestar essa frustração, de gritar bem alto o quanto estão decepcionados com o presidente que elegeram porque promteu mudar o quadro da mais injusta sociedade do mundo ocidental.
As respostas mostram ainda que vivemos uma falência das instituições porque nem os partidos, nem os sindicatos, nem as organizações covis conseguem responder às questões de uma sociedade que está esgotada porque convive com a insegurança, o desemprego, a banalização da desonestidade dos homens públicos e, o mais grave de tudo, a ausência de uma perspectiva de mudanças.
É grave porque há pouco anos, quando nossos estresses coletivos atingiam o ponto de combustão, havia sempre a esperança de que um partido, o Partido dos Trabalhadores, e seu candidato, Lula, chegariam ao poder e mudariam a História. Ou seja, havia esperança de mudança.
Com a chegada de Lula e a comovente festa de sua posse, que reuniu mais pessoas na Esplanada dos Ministérios do que a primeira visita do Papa ao Brasil em 1980, fundador do Partido dos Trabalhadores País viveu um momento de efervescente euforia. As pessoas se sentiam orgulhosas e dispostas a colaborar com a prometida mudança. Comitês de combate à fome foram criados, respirava-se um ar de solidariedade.
Durou pouco esse sentimento. Em menos de um ano, uma seqüencia de comportamentos políticos (reforma da Previdência, baixo índice de reajuste salarial para os servidores públicos, indefinições na área social....) revelou que o presidente eleito era apenas mais um, igual a todos os que ocuparam o mesmo posto. Ou seja, mentira ao pregar a esperança por dias melhores
E começou-se a viver a desesperança. O perigo é exatamente este. Lula, com seu governo, que em termos de mediocridade e subserviência repete o general Eurico Gaspar Dutra, um presidente que sequer entrou no lixo reciclável da História, eliminou a possibilidade de esparança e é essa deseperança que está nos transformando numa das mais perigosas sociedades contemporâneas.
Não estava previsto colocar aqui a carta que fiz para comentar o adjetivo usado por Lula ao se dirigir aos jornalistas na República Dominicana, mas com tantas manifestações de apoio, ela pode ser lida na secção "Nossa América".
E espero que vocês se manifestem mais e bem forte.
Até a próxima.
Memélia Moreira, editora
Estamos de volta. Depois de uma longa viagem que incluiu cenários reais dos westerns americanos, retomamos nossos contato. No retorno, uma surpresa: a demonstraçaõ explicíta do caráter autoritário de Luis Inácio Lula da Silva. Seu Governo não apenas mandou mensagem ao Congresso para que seja votada a lei que cria o Conselho Federal de Jornalismo mas, ainda, chamou de "covardes" os profissionais que rechaçaram mais uma tentativa de censura à informação e, conseqüentemente, à liberdade de investigação conquistada pela imprensa depois do longo ciclo militar.
Em protesto às declarações do presidente da República, escrevi uma carta e mandei aos amigos. Para minha surpresa, a carta se propagou de ponta a ponta do Brasil e recebi dezenas de manifestações de encorajamento e, principalmente de protestos contra o Governo.
Tentei entender o fenômeno e aqui vão algumas considerações. A primeira delas diz respeito à insatisfação. As respostas de pesoas que não conheço me mostraram que o Brasil vive hoje não apenas uma profunda frustração com seu governo mas, principalmente uma necessidade enorme de manifestar essa frustração, de gritar bem alto o quanto estão decepcionados com o presidente que elegeram porque promteu mudar o quadro da mais injusta sociedade do mundo ocidental.
As respostas mostram ainda que vivemos uma falência das instituições porque nem os partidos, nem os sindicatos, nem as organizações covis conseguem responder às questões de uma sociedade que está esgotada porque convive com a insegurança, o desemprego, a banalização da desonestidade dos homens públicos e, o mais grave de tudo, a ausência de uma perspectiva de mudanças.
É grave porque há pouco anos, quando nossos estresses coletivos atingiam o ponto de combustão, havia sempre a esperança de que um partido, o Partido dos Trabalhadores, e seu candidato, Lula, chegariam ao poder e mudariam a História. Ou seja, havia esperança de mudança.
Com a chegada de Lula e a comovente festa de sua posse, que reuniu mais pessoas na Esplanada dos Ministérios do que a primeira visita do Papa ao Brasil em 1980, fundador do Partido dos Trabalhadores País viveu um momento de efervescente euforia. As pessoas se sentiam orgulhosas e dispostas a colaborar com a prometida mudança. Comitês de combate à fome foram criados, respirava-se um ar de solidariedade.
Durou pouco esse sentimento. Em menos de um ano, uma seqüencia de comportamentos políticos (reforma da Previdência, baixo índice de reajuste salarial para os servidores públicos, indefinições na área social....) revelou que o presidente eleito era apenas mais um, igual a todos os que ocuparam o mesmo posto. Ou seja, mentira ao pregar a esperança por dias melhores
E começou-se a viver a desesperança. O perigo é exatamente este. Lula, com seu governo, que em termos de mediocridade e subserviência repete o general Eurico Gaspar Dutra, um presidente que sequer entrou no lixo reciclável da História, eliminou a possibilidade de esparança e é essa deseperança que está nos transformando numa das mais perigosas sociedades contemporâneas.
Não estava previsto colocar aqui a carta que fiz para comentar o adjetivo usado por Lula ao se dirigir aos jornalistas na República Dominicana, mas com tantas manifestações de apoio, ela pode ser lida na secção "Nossa América".
E espero que vocês se manifestem mais e bem forte.
Até a próxima.
Memélia Moreira, editora