Nenhures, 30 de março de 2004
Aconteceu! A popularidade e credibilidade do Governo despencaram quando ainda faltam mais de mil dias para o fim do mandato do presidente Lula. Cada jornal foi buscar uma explicação. A maioria apostou nos baixos indicadores econômicos, outros localizaram a queda a partir do escândalo da propina, e teve até quem fosse buscar explicações esotéricas, referindo-se ao “inferno zodiacal” do ministro José Dirceu. Inferno zodiacal, dizem, é o período que antecede a data do aniversário da pessoa. O ministro festejou seu aniversário em 16 de março. O problema é que com uma penca de ministérios, a cada mes vai se viver o inferno zodiacal de um determinado ministro. E ainda vão sobrar demônios.
A queda de popularidade dos governantes se dá a partir de um conglomerado de fatores negativos. Ela não é provocada apenas por causa de alarmantes índices de desemprego; por uma propina de 1% (quantia considerada ínfima pelo Controlador Geral da União, Waldir Pires, uma das mais honradas figuras do mundo político brasileiro) ou por sempre lamentáveis e desastrados improvisos do presidente da República.
Essa queda era prevista desde o final do ano. Houve até quem apostasse que o governo empossado em janeiro de 2003 levaria o Brasil ao naufrágio completo.
Não, o Brasil, apesar do tamanho e imponência, não é o Titanic a caminho do iceberg. Lula, nos seus tempos oposicionistas, quando combatia o presidente Fernando Henrique Cardoso chegou a dizer que o então presidente era o comandante do Titanic, de trágica celebridade, a caminho do iceberg.
Não, agora não estamos indo de encontro ao iceberg. Simplesmente porque não estamos navegando para nenhum ponto. Somos um barco de velas rotas, o comandante perdeu a bússola e não há vento. Encalhamos. Por mais que a promessa é chegar a um porto seguro, os passageiros não conseguem avistar nenhuma nesga de terra. E os marinheiros se esbarram de popa a proa.
A paralisia é total. Não avançamos. Alguns ratos até já começaram a abandonar o navio.
Para quem duvida, vai aí um pequeno exemplo da imobilidade. Nenhum dos programas, anunciados com o estardalhaço que só um carnavalesco é capaz, funcionou. Até hoje, o programa de combate á violência é apenas um amontoado de folhas de papel sem serventia. O mesmo acontece com o primeiro emprego (em um ano, conseguiu gerar um emprego); o combate ao trabalho infantil; a reforma agrária. E chega-se ao desplante de armar um cenário numa propriedade rural que não recebe um tostão do governo, para propagandear crédito agrícola. Isso sim, um verdadeiro estelionato.
Enquanto isso, compra-se avião presidencial de valor suficiente para estender um mínmo de sanemaneto em alguma cidade; passa-se um terço do primeiro ano de governo em viagens internacionais e comemora-se a perda de conquistas trabalhistas com reformas de agrado do Fundo Monetário Internacional.
A multdão brasileira (é, somos multidão. Ser povo pressupõe organização) não sabe desses detalhes. Está empobrecida e não lê jornais, mas sente no dia a dia, no bolso, no medo, a paralisação total de um governo que se atropela em pequenos fisiologismos para garantir uma base política que lhe dê a sustentação para mais reformas que vão retirar outras conquistas dos trabalhadores.
A surpresa não é a queda nos índices. Surpresa é que ainda se mantenha crédito num governo que já dá sinais explícitos de senilidade precoce.
PS- O presidente Lula perdeu seu tempo na segunda-feira, dia 29, dizendo que não é Deus, que não tem poderes divinos. Nós todos sabemos disso. Agora, só resta uma dúvida. Foi um lamento ou apenas mais um comentário ocioso do presidente da República? Se você souber a resposta, mande um e-mail.
Memélia Moreira,
Editora
Aconteceu! A popularidade e credibilidade do Governo despencaram quando ainda faltam mais de mil dias para o fim do mandato do presidente Lula. Cada jornal foi buscar uma explicação. A maioria apostou nos baixos indicadores econômicos, outros localizaram a queda a partir do escândalo da propina, e teve até quem fosse buscar explicações esotéricas, referindo-se ao “inferno zodiacal” do ministro José Dirceu. Inferno zodiacal, dizem, é o período que antecede a data do aniversário da pessoa. O ministro festejou seu aniversário em 16 de março. O problema é que com uma penca de ministérios, a cada mes vai se viver o inferno zodiacal de um determinado ministro. E ainda vão sobrar demônios.
A queda de popularidade dos governantes se dá a partir de um conglomerado de fatores negativos. Ela não é provocada apenas por causa de alarmantes índices de desemprego; por uma propina de 1% (quantia considerada ínfima pelo Controlador Geral da União, Waldir Pires, uma das mais honradas figuras do mundo político brasileiro) ou por sempre lamentáveis e desastrados improvisos do presidente da República.
Essa queda era prevista desde o final do ano. Houve até quem apostasse que o governo empossado em janeiro de 2003 levaria o Brasil ao naufrágio completo.
Não, o Brasil, apesar do tamanho e imponência, não é o Titanic a caminho do iceberg. Lula, nos seus tempos oposicionistas, quando combatia o presidente Fernando Henrique Cardoso chegou a dizer que o então presidente era o comandante do Titanic, de trágica celebridade, a caminho do iceberg.
Não, agora não estamos indo de encontro ao iceberg. Simplesmente porque não estamos navegando para nenhum ponto. Somos um barco de velas rotas, o comandante perdeu a bússola e não há vento. Encalhamos. Por mais que a promessa é chegar a um porto seguro, os passageiros não conseguem avistar nenhuma nesga de terra. E os marinheiros se esbarram de popa a proa.
A paralisia é total. Não avançamos. Alguns ratos até já começaram a abandonar o navio.
Para quem duvida, vai aí um pequeno exemplo da imobilidade. Nenhum dos programas, anunciados com o estardalhaço que só um carnavalesco é capaz, funcionou. Até hoje, o programa de combate á violência é apenas um amontoado de folhas de papel sem serventia. O mesmo acontece com o primeiro emprego (em um ano, conseguiu gerar um emprego); o combate ao trabalho infantil; a reforma agrária. E chega-se ao desplante de armar um cenário numa propriedade rural que não recebe um tostão do governo, para propagandear crédito agrícola. Isso sim, um verdadeiro estelionato.
Enquanto isso, compra-se avião presidencial de valor suficiente para estender um mínmo de sanemaneto em alguma cidade; passa-se um terço do primeiro ano de governo em viagens internacionais e comemora-se a perda de conquistas trabalhistas com reformas de agrado do Fundo Monetário Internacional.
A multdão brasileira (é, somos multidão. Ser povo pressupõe organização) não sabe desses detalhes. Está empobrecida e não lê jornais, mas sente no dia a dia, no bolso, no medo, a paralisação total de um governo que se atropela em pequenos fisiologismos para garantir uma base política que lhe dê a sustentação para mais reformas que vão retirar outras conquistas dos trabalhadores.
A surpresa não é a queda nos índices. Surpresa é que ainda se mantenha crédito num governo que já dá sinais explícitos de senilidade precoce.
PS- O presidente Lula perdeu seu tempo na segunda-feira, dia 29, dizendo que não é Deus, que não tem poderes divinos. Nós todos sabemos disso. Agora, só resta uma dúvida. Foi um lamento ou apenas mais um comentário ocioso do presidente da República? Se você souber a resposta, mande um e-mail.
Memélia Moreira,
Editora