Nenhures, 13 de janeiro de 2004
O homem mais feliz da República brasileira, hoje, é o presidente do Senado e ex-presidente da República, José Sarney. Homem de conciliação e diálogo, ele vê, finalmente sua agenda de acomodação política cumprida pelo outrora ferrenho adversário, Luis Inácio Lula da Silva. Sarney, quando presidente, queria todas as forças políticas e partidos com seu quinhão no ministério ou em poderosas estatais. Só assim governaria sem oposição. Quase conseguiu. O PT de Lula e o PPB de Malu ficaram de fora. Um por ser oposição (embora Sarney tenha tentado levar o então petista Airton Soares para um ministério, mas o nome foi barrado pelos militares que ainda rangiam os dentes), outro porque acabara de ser derrotado no colégio eleitoral que elegeu a chapa Tancredo Neves/José Sarney e não podia sair assim, sem mais nem menos, ainda ressentido, aceitando qualquer cargo. Tinha que ser, no mínimo, a Petrobrás.
Mas o tempo, que afrouxa consciências tíbias, passou. E Lula, que tem agora em José Sarney um dos mais poderosos aliados, está em vias de transformar seu ministerio numa colcha de retalhos onde cada um trabalhará para salvar sua continuidade no poder com a manutenção de domesticados currais eleitorias. Bom aprendiz, ele deu um passo além do mestre. Vai levar também um representante do “malufismo”, essa força política que há mais de 30 anos é alimentada apenas e exclusivamente pela corrupção, irmã gêmea do fisiologismo. E a reforma ministerial tem o cheiro e a cor da praga fisiológica.
Essa reforma terá, enfim, a cara e o corpo do esquecido ‘’centrão” de José Sarney. Não vai faltar nem mesmo um representante dos Alves, essa dinastia do Rio Grande do Norte que sempre consegue se equilibrar no poder. Até nisso, Lula repete Sarney, que nomeou o preguiçoso Aloísio Alves para o hoje extinto Ministério da Admionistração. Miro Teixeira era o secretário-executivo e, ministro de fato, porque Aloísio passava os dias e noites recebendo vereadores, prefeitos e deputados estaduais de seu querido Rio Grande do Norte.
Dos nomes cotados para ter uma escrivaninha, carro com placa de bronze verde e amarela, chefe de gabinete e assessores que se atropelam na inconsistência de projetos irrealizáveis, nenhum tem qualquer formação ou ligação com o posto que está assumindo.
Desculpem. Há um que tem vinculação com a pasta. Trata-se do líder do PMDB na Câmara, deputado Eunício de Oliveira (CE). Ele é proprietário de emissoras de rádio. Ou seja, vão soltar uma raposa no galinheiro. E o líder do PSB, deputado Eduardo Campos (PB), apesar dos belos olhos azuis, não tem nenhuma intimidade com a política de Ciência e Tecnologia, o que é lamentável, pois este é extamente o campo em que estamos perdendo a corrida num mundo onde cada vez mais se exige formação de cérebros.
Aí estão os personagens do prometido espetáculo. São os mesmos atores de sempre numa novela que parece não ter final feliz. Em nome da coerência, Lula também deveria copiar o estilo de Sareny no trato com a imprensa. O ex-presidente jamais divulgou notas iradas porque respeitava a informação. E não jogava a culpa de seus fracassos administrativos na conta dos jornalistas.
Um abraço
Memélia Moreira, editora
O homem mais feliz da República brasileira, hoje, é o presidente do Senado e ex-presidente da República, José Sarney. Homem de conciliação e diálogo, ele vê, finalmente sua agenda de acomodação política cumprida pelo outrora ferrenho adversário, Luis Inácio Lula da Silva. Sarney, quando presidente, queria todas as forças políticas e partidos com seu quinhão no ministério ou em poderosas estatais. Só assim governaria sem oposição. Quase conseguiu. O PT de Lula e o PPB de Malu ficaram de fora. Um por ser oposição (embora Sarney tenha tentado levar o então petista Airton Soares para um ministério, mas o nome foi barrado pelos militares que ainda rangiam os dentes), outro porque acabara de ser derrotado no colégio eleitoral que elegeu a chapa Tancredo Neves/José Sarney e não podia sair assim, sem mais nem menos, ainda ressentido, aceitando qualquer cargo. Tinha que ser, no mínimo, a Petrobrás.
Mas o tempo, que afrouxa consciências tíbias, passou. E Lula, que tem agora em José Sarney um dos mais poderosos aliados, está em vias de transformar seu ministerio numa colcha de retalhos onde cada um trabalhará para salvar sua continuidade no poder com a manutenção de domesticados currais eleitorias. Bom aprendiz, ele deu um passo além do mestre. Vai levar também um representante do “malufismo”, essa força política que há mais de 30 anos é alimentada apenas e exclusivamente pela corrupção, irmã gêmea do fisiologismo. E a reforma ministerial tem o cheiro e a cor da praga fisiológica.
Essa reforma terá, enfim, a cara e o corpo do esquecido ‘’centrão” de José Sarney. Não vai faltar nem mesmo um representante dos Alves, essa dinastia do Rio Grande do Norte que sempre consegue se equilibrar no poder. Até nisso, Lula repete Sarney, que nomeou o preguiçoso Aloísio Alves para o hoje extinto Ministério da Admionistração. Miro Teixeira era o secretário-executivo e, ministro de fato, porque Aloísio passava os dias e noites recebendo vereadores, prefeitos e deputados estaduais de seu querido Rio Grande do Norte.
Dos nomes cotados para ter uma escrivaninha, carro com placa de bronze verde e amarela, chefe de gabinete e assessores que se atropelam na inconsistência de projetos irrealizáveis, nenhum tem qualquer formação ou ligação com o posto que está assumindo.
Desculpem. Há um que tem vinculação com a pasta. Trata-se do líder do PMDB na Câmara, deputado Eunício de Oliveira (CE). Ele é proprietário de emissoras de rádio. Ou seja, vão soltar uma raposa no galinheiro. E o líder do PSB, deputado Eduardo Campos (PB), apesar dos belos olhos azuis, não tem nenhuma intimidade com a política de Ciência e Tecnologia, o que é lamentável, pois este é extamente o campo em que estamos perdendo a corrida num mundo onde cada vez mais se exige formação de cérebros.
Aí estão os personagens do prometido espetáculo. São os mesmos atores de sempre numa novela que parece não ter final feliz. Em nome da coerência, Lula também deveria copiar o estilo de Sareny no trato com a imprensa. O ex-presidente jamais divulgou notas iradas porque respeitava a informação. E não jogava a culpa de seus fracassos administrativos na conta dos jornalistas.
Um abraço
Memélia Moreira, editora